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Reconciliação entre Hamas e Fatah deve enfrentar muitos obstáculos

Reconciliação entre Hamas e Fatah deve enfrentar muitos obstáculos
 
Primeiro-ministro palestino, Rami Hamdallah (esquerda) e o chefe do Hamas, Ismail Haniyeh, em Gaza, na última segunda-feira (2). REUTERS/Ibraheem Abu Mustafa

Um encontro na Faixa de Gaza na terça-feira (3) marcou o início de uma importante reconciliação. Líderes das duas principais facções palestinas, o Fatah e o Hamas, prometeram atuar juntos depois de dez anos de rivalidade. Mas, ao que tudo indica, a aproximação entre os dois grupos ainda deve enfrentar muitas dificuldades. 

Daniela Kresch, correspondente da RFI em Israel

O encontro é muito importante. Há dez anos, os palestinos estão divididos entre duas facções: o partido Fatah, que governa dois milhões de palestinos na Cisjordânia, e o grupo islâmico Hamas, que controla os dois milhões de moradores na Faixa de Gaza. 

Desde 2007, quando o Hamas expulsou todos os ativistas do Fatah da região, num confronto que deixou mais de 600 mortos, nenhum líder rival havia pisado em Gaza. Desde então, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, tentou várias vezes, em vão, uma reconciliação com o Hamas para unir os palestinos sob uma só liderança em negociações com Israel. 

Desta vez, pode ser que a tentativa dê certo porque o próprio Hamas é que pediu a Abbas que voltasse a governar Gaza diante do aparente fracasso do grupo. 

Em uma década, a vida em Gaza só piorou: o desemprego ultrapassa os 50%, a qualidade dos serviços básico de água e esgoto é péssima e os moradores só recebem três horas por dia de energia elétrica. A situação piorou ainda mais nos últimos meses, depois que Abbas parou de pagar as contas de luz de Gaza aos fornecedores israelenses e reduziu salários de servidores públicos. Foi só depois dessa pressão que o Hamas aceitou entregar o controle de Gaza ao Fatah.
 
Bloqueio econômico de Israel e do Egito à Gaza
 
Certamente o fato de que Israel e Egito limitaram ou até mesmo fecharam a maior parte dos postos de fronteira com Gaza ajudou no empobrecimento da região. Os dois países vizinhos consideram o Hamas como uma organização terrorista, bem como os Estados Unidos e a União Europeia. 

O Egito acusa o Hamas, entre outras coisas, de incitar violência no deserto do Sinai, cometendo ou inspirando ataques contra tropas do exército egípcio. Já Israel, que se retirou de Gaza totalmente em 2005, entrou em confronto com o Hamas por três vezes na última década depois que o grupo islâmico atirou mais de 11 mil foguetes contra o país. 

Ambos os países limitam a entrada e saída de moradores e produtos de Gaza. Mas, agora, pode ser que isso mude: o Egito pode reabrir o maior posto de fronteira, o de Rafah, que está fechado há três anos.
 
Israel pode reabrir as fronteiras com Gaza?
 
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse na terça-feira que não está preparado para aceitar “falsas reconciliações” pelas quais os palestinos, segundo ele, “se reconciliam às custas da existência de Israel”. Segundo ele, se quiserem falar sobre paz, todos os palestinos devem reconhecer o Estado de Israel, o que não é o caso do Hamas. 

Netanyahu também disse esperar que o Hamas seja desmilitarizado e corte relações com o Irã. Os americanos também não parecem muito otimistas. O representante oficial dos Estados Unidos para Negociações Internacionais, Jason Greenblatt, disse que qualquer governo palestino terá que se comprometer com a “não-violência” e reconhecer Israel.
 
Hamas reividica "direito de resistir"
 
A liderança do Hamas anunciou na terça-feira que não vai confiscar as armas dos cerca de 20 mil combatentes de seu braço armado. O principal comandante do grupo, Ismail Haniyeh, afirmou que seu povo term o “direito de resistir” enquanto houver “ocupação” do território palestino. Só que o Hamas considera toda a região “ocupada”, incluindo Tel Aviv e outras cidades reconhecidas como parte de Israel pela comunidade internacional. 

Mas a manutenção das armas também é complicada para os próprios palestinos. Se o Hamas mantiver a sua milícia, eles continuarão divididos como acontece no Líbano, onde o Hezbollah exerce uma espécie de governo paralelo no sul do país com financiamento iraniano. O presidente Abbas já disse que não aceitará o “modelo libanês”. Ou seja, ainda há muitos obstáculos para que essa reconciliação dure.


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