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Curdistão iraquiano tenta independência, mas Bagdá suspende referendo

media Manifestação pela independência do Curdistão iraquiano em Erbil. REUTERS/Azad Lashkari

A Suprema Corte do Iraque, a maior instância judicial do país, ordenou nesta segunda-feira (18) a suspensão do referendo de independência previsto para 25 de setembro no Curdistão iraquiano até a análise de sua constitucionalidade. A comunidade internacional contesta a separação dessa região produtora de petróleo.

Em um comunicado oficial, a Suprema Corte informou a suspensão do referendo após ter recebido “várias demandas” alegando que “a consulta é inconstitucional”. Pelo menos três deputados apresentaram recursos contra o referendo.

Situada no norte do Iraque, nas fronteiras com Irã e Turquia, a região do Curdistão iraquiano já é autônoma desde 1991, com um governo local dirigido por Masud Barzani. Porém, os 5,5 milhões de curdos iraquianos ainda dependem de Bagdá. Desde que o projeto de referendo foi anunciado, várias manifestações em favor da independência foram organizadas nas ruas.

Mas esse referendo não agrada a comunidade internacional. Os países vizinhos – Síria, Turquia e Irã, todos com importantes minorias curdas – defendem uma solução das divergências dos curdos com Bagdá sem retirar o território do Iraque. Ancara, que já enfrenta conflitos com sua própria minoria curda, teme a criação de um Estado independente às portas do país. Já Teerã ameaçou fechar as fronteiras com o Curdistão iraquiano.

Comunidade internacional é contra referendo

Washington pediu claramente que o referendo fosse anulado. Do lado europeu, o ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, solicitou mais diálogo e criticou a consulta popular. Ele lembra que “a Constituição iraquiana já dispõe de elementos importantes sobre a autonomia dos curdos, que devem ser respeitados, validados e garantidos. Qualquer outra iniciativa seria inoportuna”.

O chefe da diplomacia francesa lembra que a comunidade internacional está tentando reconstruir o Iraque após a ação do grupo Estado Islâmico (EI), e que o país precisa estar unido neste momento. Os temores também são crescentes em relação à escalada de violência entre os iraquianos, envolvendo particularmente os peshmergas e as muitas unidades paramilitares espalhadas pelo país, que poderiam disputar as zonas recuperadas das mãos dos extremistas do EI.

A cientista política Myriam Benraad, professora na universidade holandesa de Leyde e especialista no Iraque, lembra que esse braço de ferro entre Bagdá e os curdos existe há mais de uma década. Mas para ela, uma das principais razões do bloqueio é a presença de petróleo na região. “O território do Curdistão iraquiano é repleto de combustível e os curdos não querem fazer nenhuma concessão”, ressalta.

Uma delegação curda é esperada na terça-feira (19) em Bagdá, enquanto o primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, viagjou para Nova York, onde participa da Assembleia Geral da ONU.

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