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Mundo

Coreia do Norte: secretário-geral da ONU alerta para risco de conflito

media Antonio Guterres em uma reunião do Conselho de Segurança da ONU REUTERS/Stephanie Keith

A crise com a Coreia do Norte, que multiplica os testes nucleares e os mísseis balísticos, é a mais grave em muitos anos, declarou o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, em entrevista à publicação francesa “Jornal do Domingo”, que chegou hoje às bancas.

O secretário-geral da ONU declarou estar “muito preocupado” com os acontecimentos. O ex-primeiro-ministro português, que tomou posse no dia 1 de janeiro deste ano, declarou que o objetivo principal das Nações Unidas é convencer a “Coreia do Norte a abandonar seu programa nuclear e balístico, e fazê-la respeitar as resoluções votadas pelo Conselho de Segurança".

Na entrevista, ele também lembrou que é importante manter a unidade do órgão da ONU, que é “o único instrumento que pode mediar uma iniciativa diplomática com chances de sucesso”. Segundo ele, “até hoje as guerras mundiais que foram declaradas aconteceram depois de muita reflexão”, mas apesar disso, a possibilidade de um conflito não pode ser descartada. “Esperamos que a gravidade da ameaça nos torne mais razoáveis, antes que seja tarde demais”.

Conselho de Segurança se reúne nesta segunda-feira

A pedido dos Estados Unidos, que não descartam uma intervenção militar em solo norte-coreano, o Conselho de Segurança da ONU se reúne nesta segunda-feira (11) para propor uma resolução com novas sanções à Coreia do Norte, em resposta aos testes nucleares e balísticos realizados pelo regime.

O objetivo é tentar negociar com os norte-coreanos a interrupção do programa militar. No dia 3 de setembro, o país realizou seu sexo teste nuclear, com uma bomba H miniatura. O aparato poderia ser acoplado a um míssil intercontinental, com capacidade para atingir os Estados Unidos. Com esse teste, Pyongyang desrespeitou novamente as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas. O país já foi alvo de sete rodadas de sanções.

Na reunião desta sefunda-feira (11), a dificuldade, como sempre, será obter o apoio da China e da Rússia no voto de novas sanções. Os dois países temem uma entrada massiva de refugiados em caso de um conflito armado que provavelmente destruiria a Coreia do Norte, mas ao mesmo tempo concordam que o regime norte-coreano tem passado dos limites, o que abre espaço para negociações.

De acordo com fontes diplomáticas, o texto inicial apresentado na quarta-feira passada aos membros do Conselho de Segurança sofreu forte oposição de Moscou e Pequim. Ele prevê a inspeção de navios suspeitos, embargo total sobre o petróleo e derivados, proibição de importação de matéria-prima da indústria têxtil, congelamento das contas bancárias do líder Kim Jong-Un entre outras medidas.

Diante da recusa de Moscou e Pequim, outro projeto de resolução foi apresentado neste fim de semana, com concessões em torno do petróleo e inspeção dos navios. Os EUA também não descartam a ideia de sancionar países que mantêm relações comerciais com a Coreia do Norte, como a China, principal importadora dos produtos norte-coreanos.

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