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Terrorismo é tentação para políticas autoritárias e xenófobas

Terrorismo é tentação para políticas autoritárias e xenófobas
 
Barcelona foi o alvo no mais recente atentado na Europa reivindicado pelo grupo Estado Islâmico em 17 de agosto de 2017. ©Josep LAGO/AFP

O autoproclamado “Estado Islâmico” está perdendo a guerra. Mas ainda falta muito para que o movimento islamista (Daech em árabe) seja definitivamente derrotado. A conquista de Mossul, e agora de Tal Afar, pelo exército iraquiano apoiado pela coalizão ocidental, e o cerco de Raqqa na Síria, a última cidade relevante nas mãos dos terroristas, foram um pontapé no formigueiro.

Perdendo rapidamente as suas principais bases territoriais, Daech está voltando às origens: uma rede transnacional de terror. Quanto mais acumula reveses no seu espaço médio-oriental, mais atentados sangrentos planeja – e às vezes executa – nos países vizinhos, na Europa, na África e até na Ásia. Minúsculos grupelhos e até indivíduos isolados envenenados pela ideologia islamista estão matando civis de maneira indiscriminada.

Terrorismo puro, numa tentativa desesperada de se vingar, ou de amedrontar o resto do mundo para mostrar que Daech ainda morde. Aliás a organização reivindica quase todos esses crimes e matanças mesmo quando essas formiguinhas terroristas agem sozinhas, sem ordens ou vínculos formais com o movimento.

O paradoxo aparente é que os grandes centros urbanos europeus estão cada vez mais ameaçados por kamikazes islamistas à medida que o “Estado Islâmico” vai se enfraquecendo. Mas não dá para esconder que se trata de uma regressão, quase um desespero. Passar de uma rede terrorista, mesmo poderosa, à administração de um vasto território representa um imenso acréscimo de poder. Controle territorial é acesso a extensos recursos.

Resiliência e resistência dos combatentes

No caso de Daech foram centenas de milhões de dólares nos cofres das cidades conquistadas, poços de petróleo, um leque importante de mercadorias e redes comerciais ou armas pesadas dos quartéis ocupados – além da administração de populações inteiras pagando tributos e fornecendo combatentes para a causa.

Aliás esses embriões de estado nas áreas avassaladas só foram possíveis com a ajuda de ex-militares sunitas do exército e dos serviços de segurança do regime de Saddam Hussein que tinham experiência de gestão institucional. As vantagens de dominar um importante espaço físico explicam a espantosa resiliência dos combatentes de Daech que resistem até à morte e provocam baixas pesadas nas forças atacantes.

Houve tempo – e superfície – para treinar, organizar táticas de defesa, cavar túneis, distribuir explosivos, e sobretudo criar instituições com capacidade de impor um quadro ideológico e uma hierarquia social na qual os islamistas são donos do poder e gozam de todas as vantagens. É muito privilégio para não tentar defendê-lo até o fim.

Força ideológica

Perder território é perder tudo isso. Voltar a ser uma simples rede terrorista clandestina, mesmo com capacidade de provocar tragédias cruentas com forte impacto midiático, não compensa.

Os oficiais sunitas do antigo regime iraquiano – e muitos foram vítimas dos militantes islamistas nas lutas de poder internas – não têm condições de deixar as regiões sunitas do Iraque para virar terroristas clandestinos no vasto mundo. Um número apreciável dos combatentes estrangeiros mais aguerridos morreram em combate no Iraque e na Síria.

E os últimos atentados cometidos na Europa mostram a falta de recursos: facadas, carros e camionetas atropelando gente, botijões de gás.... Tentativas de jovens radicalizados sem experiência, traficantes de drogas, ex-delinquentes ou simples dementes .

Claro, isso não quer dizer que o perigo está acabando. A força de Daech é a ideologia islamista radical. Qualquer jovem frustrado e revoltado, nacional ou estrangeiro, muçulmano ou convertido ao Islã, pode ser aliciado ou decidir sair matando sozinho.

E nas sociedades democráticas, o impacto midiático e social é imenso. Mas na verdade, as sociedades ocidentais também estão demonstrando uma surpreendente resiliência. Habituar-se a perder vidas humanas inocentes é sempre insuportável, mas é o que está acontecendo pouco a pouco na velha Europa cansada de guerra.

A maior ameaça hoje, é a tentação dos políticos – extremistas ou não – de utilizar os atentados periódicos para promover agendas autoritárias, repressivas, xenófobas ou, como em Barcelona, separatistas.


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