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Crise atômica com a Coreia do Norte é quase "beco sem saída"

Crise atômica com a Coreia do Norte é quase
 
Image de míssil norte-coreano. © Reuters

A turma do “deixa-disso” já entrou em campo. Xi-Jinping, Macron, Merkel estão todos tentando conter as ameaças e impropérios que o novo Doutor Fantástico vem soltando desde a Casa Branca. Diante das provocações apocalípticas de Kim Jong-Un – o garotão perverso da Coréia do Norte – Donald Trump decidiu ser mais apocalíptico ainda.

Há muito tempo que não se falava mais em guerra nuclear. De repente, está todo mundo antenado. Ninguém quer acreditar que o ditador de Pyongyang e o magnata lourão de Washington pretendem brincar de guerra atômica. Mas a verborragia mútua cria um clima propício para qualquer erro de cálculo. Os historiadores já demonstraram que foram enganos desse tipo que deram origem à Primeira Guerra Mundial.

O jovem Kim Jong-Un está convencido de que uma capacidade nuclear que possa ameaçar os Estados Unidos é a única maneira de salvar o seu poder. A Coreia do Norte é um estado falido e só uma repressão feroz mantem o regime. Pyongyang imagina que um arsenal atômico poderia bloquear maiores pressões econômicas e militares do resto do mundo que ameaçam a ditadura comunista.

Há anos que várias administrações americanas ou sul-coreanas tentam encontrar uma saída diplomática para que o “reino ermitão” abandone o seu programa nuclear militar acatando os tratados de não-proliferação e as diversas resoluções da ONU nesse sentido.

Diplomacia não avança

O sucesso da diplomacia, até hoje, foi zero. E a Coreia do Norte está cada dia mais perto de uma força nuclear global. Do lado outro lado do Pacífico, o poderio militar dos Estados Unidos – convencional e atômico – é infinitamente maior do que os sonhos mais loucos de Kim Jong-Un.

E desde a época da União Soviética, Washington sabe como gerenciar um equilíbrio de forças nucleares. Só que não há responsável militar americano que possa simplesmente aceitar conviver com mísseis norte-coreanos prontos a vaporizar parte do território nacional.

Quem pode confiar na racionalidade ou no sangue frio do imaturo ditador da Coreia do Norte? O Pentágono está convencido de que chegou a hora de resolver o problema antes que seja tarde demais. Mas se a diplomacia já mostrou que não funciona, como chegar lá?

Uma das chaves é a China. Sem os chineses, que mantêm boas relações econômicas e até políticas com Pyongyang, o regime não tem condições de aguentar. Mas Pequim, até hoje, não quer saber de meter a mão nessa cumbuca.

O medo é provocar o desmoronamento completo da Coreia do Norte, com milhões de refugiados fugindo para o território chinês. Pior ainda, isso poderia levar à reunificação das duas Coreias sob a égide da Coreia do Sul e de seu aliado norte-americano.

A China não está a fim de viver com a superpotência americana implantada na sua fronteira norte. Trump, pelo visto, resolveu engrossar o caldo com uma retórica nuclear maluca para tentar amedrontar Kim Jong-Un e pressionar Xi-Jiping para que finalmente a China tente encontrar uma saída aceitável.

Solução militar é "insânia"

O lourão da Casa Branca não entende muito de guerra, mas os generais americanos sabem muito bem que uma solução militar é uma insânia. Claro, os Estados Unidos poderiam destruir a Coréia do Norte em poucos dias. Mas o “reino ermitão” tem bastante armamentos convencionais e até nucleares para provocar milhões de mortos nos países vizinhos. Não dá para brincar com isso.

Quanto mais o tempo passa, mais difícil fica a situação. É quase um beco sem saída. Se alguém perder a calma, ou se sentir acuado, uma catástrofe é sempre possível. Kim é um garotão cruel e paranoico, e resolveu aplicar a tática de queimar os navios: não pode mais recuar.

Donald Trump é outro paranoico irresponsável que acha que política é que nem “business”: basta começar uma negociata com posições extremas para que o cara do outro lado acabe cedendo muito mais do que queria. Mas se um deles pisar na jaca, a velha moda dos abrigos antiatômicos vai bombar.

 


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