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Mundo

Polarizada, Turquia lembra um ano da tentativa de golpe militar

media O presidente Recep Tayyip Erdogan e o primeiro-ministro Binali Yildirim rezam diante do túmulo de vítimas do golpe militar frustrado de 15 julho de 2016. Kayhan Ozer/Presidential Palace/Handout via REUTERS

A Turquia lembra neste sábado (15) o primeiro aniversário da tentativa de golpe militar em clima de polarização e pouca unidade nacional. O episódio, que deixou 249 mortos e mais de dois mil feridos em 15 de julho de 2016, será marcado por uma série de eventos dentro e fora do país.

Fernanda Castelhani, correspondente da RFI em Istambul

O primeiro-ministro, Binali Yıldırım, afirmou, neste sábado que as Forças Armadas estão mais fortalecidas hoje que há um ano. “O Exército turco é o exército desta preciosa nação”, disse Yıldırım numa sessão extraordinária do Parlamento, com a participação do presidente Tayyip Erdoğan, em Ancara.

O premiê acrescentou que a “Turquia transformou uma noite sombria em uma manhã iluminada”, em referência à retomada rápida de poder poucas horas depois da tentativa frustrada de um grupo de militares tomarem o poder, em 15 de julho de 2016.

Outras comemorações

A principal celebração terá início em Istambul às 18h30 (12h30 horário de Brasília), com uma marcha na Ponte do Bósforo, que separa o continente europeu do asiático. O local, agora chamado Ponte dos Mártires de 15 de julho, foi, há um ano, fechado, temporariamente, por militares que orquestraram o golpe para derrubar o atual governo turco.

Neste mesmo lugar, um monumento será inaugurado e o presidente Tayyip Erdoğan fará um discurso às 2h32 da madrugada, momento exato em que, um ano atrás, bombas explodiram no Parlamento.

Embaixadas em todo mundo também têm feito encontros e pronunciamentos exaltando a democracia turca.

Clima nas ruas

As ruas da maior cidade da Turquia estão vazias. Não só por conta do feriado decretado em todo país, mas porque as pessoas estão com receio de aglomerações e possíveis confrontos.

Outdoors e faixas do governo federal foram espalhadas pela rede de transporte público e nos principais pontos de concentração para convidar a população a participar das comemorações “em respeito aos mártires e soldados”.

Polarização acirrada

Mas, na prática, o clima não é de orgulho nacional. A vitória do povo e das autoridades na tentativa de golpe, na realidade, acirrou as acusações entre opositores e fortaleceu o autoritarismo de Erdoğan.

O país está, desde julho do ano passado, sob estado de emergência e o presidente já anunciou que deverá ser estendido por mais tempo. Após referendo, Tayyip Erdoğan também conquistou o que queria: transferir o sistema de governo de parlamentarismo para presidencialismo.

Caça às bruxas

Até agora, 50 mil pessoas foram presas e 100 mil, afastadas de suas funções. Isso inclui militares, professores, jornalistas e até técnicos de informática. Todos são acusados de fazer parte da rede do clérigo turco apontado como mentor do golpe, Fethullah Gülen, que já foi aliado do atual governo e hoje vive nos Estados Unidos. As autoridades de Washington, até o momento, não deram sinal de que vão extraditar Gülen, que, ontem, voltou a repudiar a tentativa de golpe e acusou o governo turco de eliminar quem é considerado desleal ao regime.

Se, internamente, a propaganda política e a exaltação do nacionalismo ainda funcionam para a popularidade de Erdoğan, para o resto do mundo, a Turquia terá de provar que frustrar uma tentativa de golpe de Estado foi importante para blindar o país de intervenções antidemocráticas.

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