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Mundo

Ondas de calor serão cada vez mais frequentes e longas

media Temperaturas se aproximaram dos 40°C neste mês de junho na França. REUTERS/Pascal Rossignol

Sabe aquela sensação de que os verões estão cada vez mais quentes? A impressão não é falsa. De acordo com especialistas, as ondas de calor serão cada vez mais frequentes, longas e fora dos períodos tradicionais de altas temperaturas. 

A forte onda de calor que vive a França soou o alarme da população. Há cinco dias, as temperaturas vêm ultrapassando os 35°C e nesta quinta-feira (22) devem se aproximar dos 40°C em algumas cidades francesas. Nos Estados Unidos, a situação é ainda mais sufocante. A cidade de Palm Springs, na região sudeste, registrou 50°C na quarta-feira (21).

Para os meteorologistas e climatologistas, o fenômeno não é surpreendente. Eles têm a resposta na ponta da língua: o aumento das temperaturas é uma consequência direta do aquecimento global. O mais grave, no entanto, é que a situação não vai melhorar nos próximos anos.

Ondas de calor são fenômeno global

Segundo Michel Schneider, climatologista da Méteo France, as ondas de calor serão cada vez mais frequentes e longas, seja na França, nos Estados Unidos ou no Brasil. O fenômeno, segundo ele, é global. "O aquecimento do planeta é generalizado. Em todos os continentes, de norte a sul, episódios de forte calor vão se tornar cada vez mais comuns", prevê.

Os franceses vivem esse problema na pele, literalmente. De acordo com Schneider, o forte aumento das temperaturas desde o início desta semana é "excepcional", por ser precoce: começou antes mesmo do início oficial do verão no hemisfério norte, dia 21 de junho. Além disso, a intensidade do calor é inédita. "Tivemos temperaturas que nunca haviam sido registradas em um mês de junho no país", salienta.

"Os verões estão se tornando mais longos": essa é a constatação do climatologista Jean Jouzel, do Grupo de Experts Intergovernamentais sobre a Evolução do Clima (GIEC). O especialista lembra que, em 2016, a França viveu um período de forte calor em setembro. "Há algumas décadas, não havíamos tido temperaturas altas como as que tivemos no ano passado ou neste ano fora do auge do verão. Claramente isso está mudando", avalia.

Os climatologistas são unânimes em afirmar que políticas climáticas devem ser urgentemente colocadas em prática para que o fenômeno não se agrave ainda mais. "Não chegamos ao momento em que a situação é crítica. Mas, se o Acordo de Paris sobre o Clima não for respeitado, não teremos apenas ondas de calor cada vez mais quentes, mas também incêndios florestais, episódios de poluição e secas mais intensas, por exemplo", diz.

Schneider lembra que não há medidas de "urgência" que possam ser colocadas rapidamente em prática para reverter a situação imediatamente. "Vamos ter que nos acostumar e nos adaptar. Mesmo se, a partir de amanhã, diminuirmos as emissões de gases poluentes, a temperatura do planeta continuará aumentando durante as próximas décadas", adverte.

Cidades começam a se preparar contra efeitos do aquecimento global

Diante da irreversibilidade da situação, as cidades começam a pensar em soluções paliativas, que não vão resolver o problema, mas que poderão aliviar as consequências do aquecimento global. "Os municípios estão sendo obrigados a criar estratégias e planos para o clima e a energia. O objetivo é preparar as cidades para os efeitos das mudanças climáticas", afirma Erwan Cordeau, encarregado de estudos sobre o clima do Instituto de Planejamento e Urbanismo da Ile-de-France.

O primeiro passo, segundo o pesquisador, é rever os materiais utilizados nas construções dos prédios. "Optaremos por materiais que refletem mais a luz. Por exemplo, nos tetos dos edifícios, usar tintas claras que não armazenem calor. Teremos que rever também as cores das ruas, já que o asfalto das estradas e o cimento utilizado nas calçadas são escuros", declara.

Para isso, Cordeau salienta que será preciso reencontrar o equilíbrio com a natureza nas cidades. Por isso, aumentar as reservas de água no solo e criar mais espaços verdes nas regiões urbanas fazem parte do plano desenvolvido pelas autoridades francesas.

Paris, por exemplo, vem criando cada vez mais parques e espaços verdes. Mas, segundo o especialista, o verdadeiro desafio é como harmonizar a vegetação com o excesso de construções seculares: boa parte das construções da capital francesa são tombadas por serem históricas. "Por isso, pensamos em retoques dos prédios, com fachadas ou tetos vegetalizados, ou isolando as janelas com persianas, por exemplo, já que a maioria dos edifícios franceses deixaram de utilizá-las."

Além das medidas planejadas e colocadas em prática pelas autoridades, a população também pode ter iniciativas que protejam suas casas em períodos de forte calor. "Impedir a entrada de luz durante o dia, arejar a casa durante a noite, pensar em reformas que permitam a ventilação dos prédios e casas, além de sistemas de esfriamento dos imóveis não-tradicionais, ecológicos e sem o uso de energia elétrica, são estratégias domésticas a serem consideradas", aconselha.

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