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Sem perspectiva de paz com palestinos, Israel lembra 50 anos da Guerra dos Seis Dias

Sem perspectiva de paz com palestinos, Israel lembra 50 anos da Guerra dos Seis Dias
 
Imagem de arquivo mostra tanques israelenses diante da mesquita de Omar, em Belém, em junho de 1967. AFP

Há exatos 50 anos, em 5 de junho de 1967, começava a Guerra dos Seis Dias, que durou menos de uma semana, mas mudou os destinos do Oriente Médio. Cinco décadas depois, o ceticismo sobre a paz entre israelenses e palestinos é o sentimento dominante no país.

Daniela Kresch, correspondente da RFI em Israel

Para entender a Guerra dos Seis Dias, é preciso voltar um pouco mais no tempo, para 1948, quando Israel foi criado, à revelia do mundo árabe. Imediatamente, aconteceu a primeira guerra entre Israel e seus vizinhos, que terminou no ano seguinte com um cessar-fogo. Mas, pelos próximos 18 anos, a tensão foi se acirrando na região.

Em maio de 1967, o Egito fechou o estreito de Tiran, impedindo a passagem de navios israelenses, expulsou tropas da ONU da fronteira e negociou uma aliança militar com Jordânia e Síria. O presidente egípcio, Gamal Abdel Nasser, também fez diversas ameaças a Israel em discursos, prometendo atacar o país.

Tudo isso fez com que, na manhã do dia 5 de junho, os israelenses iniciassem um ataque surpresa contra contra os três países. Em seis dias, conseguiu triplicar seu território: tomou o controle de Jerusalém Oriental e da Cisjordânia - que antes pertencia à Jordânia -, da Faixa de Gaza e do Deserto do Sinai - antes do Egito -, e das Colinas de Golã, quz fazia parte da Síria.

Vitória militar de Israel

A Guerra dos Seis Dias foi uma vitória militar de Israel, um pequeno país com, então, apenas 19 anos de idade e que, de repente, se tornou uma potência regional. Mas, como resultado, cerca de 1 milhão de árabes passaram ao controle israelense. Outros 380 mil fugiram ou foram expulsos, se tornando refugiados.

Desde então, os palestinos, como são conhecidos a maioria deles, querem Jerusalém Oriental, Cisjordânia, e Gaza como um Estado nacional. Mas isso é complicado. Em Gaza, o grupo islâmico palestino Hamas, que não aceita a existência de Israel, está no poder há uma década.

Na Cisjordânia, foram construídos cerca de 200 assentamentos israelenses por colonos judeus que alegam que lá se passaram os principais acontecimentos da Bíblia e não aceitam abrir mão da região. E Jerusalém Oriental foi anexada por Israel. É lá que fica o Muro das Lamentações, lugar mais sagrado para os judeus, que, antes da guerra, foram proibidos de visitar pelos jordanianos. Para os palestinos, são essas as colônias na Cisjordânia e os bairros judaicos em Jerusalém Oriental os maiores obstáculos para um acordo.

Negociações de paz depois da guerra

Logo depois da guerra, Israel fez diversas ofertas para trocar terras por paz, mas só deu certo no caso do Egito, que aceitou negociar a paz em 1979 em troca do Sinai. O próprio Egito, no entanto, não quis a Faixa de Gaza de volta. Israel também assinou um acordo de paz com a Jordânia, em 1994, mas os jordanianos também não quiseram receber a Cisjordânia de volta. No caso dos sírios, nunca houve uma negociação séria quanto às Colinas de Golã.

Já com os palestinos, a situação é de poucos altos e muitos baixos. Em 1993, eles assinaram com os israelenses os Acordos de Oslo, que pareciam ser uma luz no fim do túnel. Mas o assassinato de ex-premiê israelense Yitzhak Rabin por um extremista judeu, em 1995, e uma onda de ataques terroristas palestinos, no ano seguinte, levaram a um impasse.

Em 2000, estourou a Segunda Intifada, uma brutal revolta palestina que deixou mil israelenses mortos. As também brutais respostas do exército israelense deixaram 4 mil palestinos mortos. Desde então, houve mais algumas tentativas, todas em vão.

Clima de ceticismo

Segundo pesquisa de opinião divulgada na última sexta-feira (2), 63% dos israelenses não acreditam numa “paz verdadeira” com os palestinos. Não há uma enquete do lado palestino, mas o percentual deve ser maior ainda entre eles.

Na verdade, os dois lados se distanciam cada vez mais. Hoje, o que se diz é que há duas “narrativas” diferentes sobre o conflito: o ponto de vista israelense e o palestino. E essas duas narrativas parecem falar de histórias de dois planetas distantes.

Israel considera que “liberou” Jerusalém há 50 anos e reocupou a Judeia e a Samária, ou Cisjordânia, parte de sua terra ancestral – apesar de haver muita discussão interna na sociedade sobre o destino desses territórios. As opiniões variam muito. E os palestinos consideram que Israel “ocupou” sua terra ancestral, que nunca realmente pertenceu ao Povo Judeu.

Diante disso, a solução de “Dois Estados para dois povo”, ou melhor, a ideia de dividir a Terra Santa pelos dois povos, parece estar cada vez mais distante.


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