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Mundo

Etíope vence eleição inédita para chefiar OMS

media O etíope Tedros Adhanom Ghebreyesus, novo diretor-geral da OMS. AFP PHOTO/JOSHUA LOTT

O ex-ministro etíope da Saúde Tedros Adhanom foi eleito nesta terça-feira (23) novo diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), superando em votos o britânico David Nabarro e a paquistanesa Sania Nishtar.

Pela primeira vez um africano irá dirigir a OMS, uma das agências mais poderosas das Nações Unidas. "É um dia histórico para a Etiópia e para a África", comemorou o embaixador etíope na ONU, Negash Kibret. O novo chefe da OMS assumirá o cargo em 1º de julho, substituindo a chinesa Margaret Chan, que dirigiu a instituição por 10 anos.

O ex-ministro da Saúde etíope e pesquisador renomado sobre a malária, de 52 anos, liderou o primeiro e segundo turno, mas sem obter a maioria dos dois terços dos votos necessários. Seu adversário David Nabarro, de 67 anos, foi enviado especial da ONU para a luta contra o ebola. O primeiro turno teve três candidatos e a cardiologista e ex-ministra da Saúde paquistanesa Sania Nishtar, que obteve menos votos, foi eliminada.

OMS transparente

Também é a primeira vez que três candidatos competem para o posto de diretor-geral da OMS, uma instituição criticada por sua falta de transparência. Anteriormente, apenas o nome de um único candidato, proposto pelo Conselho Executivo da OMS, era submetido à votação da Assembleia Mundial da Saúde.

Tedros vai dirigir uma agência particularmente criticada por sua falta de discernimento sobre a gravidade da epidemia de ebola no oeste africano entre o final de 2013 e 2016, que deixou mais de 11.300 mortos. Margaret Chan reconheceu na segunda-feira (22), em um discurso na Assembleia Mundial da Saúde, que reúne uma vez por ano os países-membros da OMS, que a epidemia "apanhou todo o mundo, incluindo a OMS, de surpresa".

Cobertura universal da saúde

Ao apresentar a sua candidatura e seu programa, Tedros Adhanom Ghebreyesus contou ter perdido, quando era criança, um irmão que não havia recebido os medicamentos necessários. Ele então afirmou que "se recusava a aceitar que pessoas morram porque são pobres". "Faço as seguintes promessas: trabalhar incansavelmente para cumprir a promessa de garantir a cobertura universal da saúde e garantir que haja fortes respostas em situações de emergência", declarou.

Além disso, o médico etíope indicou que vai fortalecer "a saúde e a autonomia dos países" e "colocará a transparência no coração da OMS". Tedros, que também foi ministro das Relações Exteriores de seu país, era apoiado pela União Africana.

 

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