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Médico voluntário brasileiro devolve a visão a haitianos

Médico voluntário brasileiro devolve a visão a haitianos
 
Jair Nicolini e a paciente Fleurima Gracieuse Michael Scott

O médico oftalmologista brasileiro Jair Nicolini vive há 17 anos na Dinamarca e é proprietário de uma clínica na cidade de Roskilde, onde mora com a esposa, também oftalmologista, e as duas filhas do casal. Mas, uma vez por ano, durante duas semanas, Jair deixa sua rotina tranquila e viaja para um dos países mais pobres e perigosos do mundo, o Haiti. O motivo é nobre: recuperar a visão de centenas de haitianos.

 Margareth Marmori, correspondente da RFI na Dinamarca

Jair faz parte de um grupo de profissionais de saúde que trabalha voluntariamente na cidade de Thiotte, que fica a três horas e meia de viagem de carro da capital haitiana, Porto Príncipe. No Haiti, durante 12 dias, o grupo faz um mutirão de consultas, tratamentos e cirurgias. A equipe atende o maior número possível de pessoas e Jair costuma fazer de 15 a 18 operações por dia.

A prioridade é dada aos pacientes com visão mais prejudicada e a operação, principalmente nos casos de catarata, pode pôr fim a anos de cegueira. Jair se emociona ao contar a reação dos pacientes depois de recuperar a visão: “A reação das pessoas é muito legal. A maioria, graças a Deus, fica muito feliz devido à cirurgia. Antes da cirurgia, vem o familiar puxando o paciente para a consulta ou para o centro cirúrgico porque a pessoa é cega. No outro dia a pessoa vem sozinha, com outra roupa, que ela mesmo escolheu, já fica toda mais bonita, se arruma e tal par vir para o controle, com aquele sorriso na cara. É bem diferente. É muito legal”.

Novo destino

O Haiti não é o primeiro país onde Jair atende como voluntário. Em 2002 e 2005, ele trabalhou de graça na Amazônia ao participar de um programa de saúde da Fundação Oswaldo Cruz. Na década seguinte, ele repetiu a experiência na região de Chennai, na Índia, onde esteve duas vezes. Mas, em 2014, ele resolveu telefonar para a Academia Americana de Oftalmologia para perguntar qual região do mundo mais precisava de oftalmologistas.O Haiti, foi a resposta, e aí Jair decidiu que era hora de mudar o destino de suas viagens.

No Haiti, a população luta com inúmeros problemas como as consequências do terremoto de 2010, pobreza absoluta, violência e epidemias de cólera. Segundo Jair, os haitianos enfrentam um outro problema sério na área de saúde ocular. Devido a fatores genéticos e climáticos, doenças oftalmológicas como catarata e glaucoma são muito mais comuns no país do que em outras partes do mundo.

Um olho de cada vez

A procura pelo tratamento oferecido durante o mutirão de voluntários é tão grande que os médicos são obrigados a operar apenas um olho de cada paciente para poderem atender o maior número possível de pessoas. Trabalhar enfrentando tantas dificuldades de um país tão pobre não é fácil, mas Jair encara os problemas de forma positiva.

“Eu acho que tem coisas na vida, que se você gosta, você tem de fazer. Para mim, uma das coisas que mais me dá retorno, é fazer bem aos outros. Graças a Deus sou um bom cirurgião e tendo essa possibilidade de poder operar as pessoas que são cegas no fim do mundo e ver esse retorno que você tem, depois de um dia, que está todo mundo feliz, chorando. Você muda a vida dessa pessoa, de famílias, de gerações. Você faz a diferença. Essa diferença que muitas vezes você não vê aqui na Dinamarca”, ele diz.

Até mesmo em casa, na Dinamarca, Jair dá um jeito de continuar trabalhando pela saúde dos haitianos. Através de sua clínica, ele angaria óculos usados, que são mais tarde doados aos pacientes toda vez que ele vai ao Haiti.

Doação de óculos

“Quando você é operado de catarata, quase sempre os óculos que você utilizava antes da cirurgia, não servem mais. Então, esses óculos, ao invés de jogar fora, eu peço para eles doarem para mim. Ai eu levo sempre nas minhas malas para lá. Na última vez eu tinha uns 650 óculos. Eu sempre meço, faço as medidas da refração porque daí já tem a refração para doar para as pessoas lá”, ele conta.

O mutirão dos profissionais de saúde é coordenado pela organização não governamental americana, Missão Médica do Haiti de Wisconsin. Além de oftalmologistas, o grupo inclui optometristas, enfermeiras, farmacêuticos, cirurgiões, médicos clínicos e pediatras.

Dizer que Jair trabalha de graça não corresponde bem aos fatos porque, na verdade, ele paga para trabalhar como voluntário. Ele mesmo arca com o custo da viagem e ainda contribui com 500 dólares para cobrir os gastos com hospedagem. Além do mais, parte do equipamento e materiais usados no mutirão são os próprios voluntários que levam de seus países de origem.

Mas as despesas preocupam bem menos do que a violência e a criminalidade no país. Sequestros, e assaltos são muito comuns e os voluntários têm de estar constantemente sob proteção. Os bloqueios das estradas também são muito frequentes, como aconteceu em uma das últimas missões, como conta Jair:
“Eu nunca tinha experimentado isso. Nem no Brasil, sabe? Chegar assim e o pessoal jogando pedra, o pessoal encapuzado. Você só via os olhos, assim. Nos pararam quatro vezes. A gente andando de carro, nesses carros brancos da UN (sigla em inglês para Nações Unidas). Passando em cima do fogo, o carro cheirando a fogo, a fumaça. E a gente continuando porque o motorista dizia: ‘Olha, tem que continuar. Vamos, vamos, vamos, vamos! ‘ E a gente ia. “

Dança sem música

Mas, para o médico, o mais difícil nessas viagens é ficar longe da família em um lugar onde não há internet e nem mesmo linhas telefônicas, embora ele ache que esse é um preço que ele precisa pagar.  “Se você tem essa ideia de viajar, de fazer um trabalho voluntário, aí é meio difícil começar a ficar pensando na parte financeira, não é? Claro que você está lá, vê um bando de coisa, pensa na família, tem saudade, não tem internet, não tem nada, não tem celular (risos) .... Fica lá no meio de um buraco. Pelo menos lá em Thiotte. Mas faz parte do trabalho. ”, explica.

Jair tem várias histórias para contar sobre a alegria de uma pessoa que acabou de recuperar a visão depois de uma operação. Uma dessas histórias que ele lembra com emoção é a da Fleurima, que era cega até ser operada de catarata: “A Fleurima chegou, no outro dia, dançando. Ela chegava assim, olhava para mim e dançava de felicidade, sabe, sem música (risos), ficava dançando de tão feliz que ela estava. Ela não se continha. Isso é legal de guardar para si. Principalmente quando, às vezes, qualquer coisa ruim que ocorra aqui ou sei lá o quê, às vezes é bom: pensa que você consegue fazer o bem também. Para mim, ela é um dos exemplos que me levantam o astral. ”

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