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Mundo

Nunca a liberdade de imprensa no mundo esteve tão ameaçada, alerta RSF

media O mapa da liberdade de imprensa, divulgado nesta quarta-feira, 26 de abril de 2017, pela ONG Repórteres Sem Fronteiras. RSF

O ranking mundial da liberdade de imprensa foi divulgado nesta quarta-feira (26) pela ONG francesa Repórteres Sem Fronteiras (RSF). O relatório anual afirma que “nunca a liberdade de imprensa esteve tão ameaçada” e adverte que o jornalismo, em todo o mundo, “está fragilizado pelo recuo da democracia”. O Brasil ocupa o 103 lugar no ranking, composto por 180 países e liderado pela Noruega. A Coreia do Norte é o último da lista.

A edição 2017 do ranking de liberdade de imprensa, elaborado com dados sobre as violações cometidas entre 1° de janeiro e 31 de dezembro de 2016, está marcada pela banalização de ataques contra a imprensa e pelo triunfo de políticos autoritários e populistas, sobretudo em países democráticos. As violações ao direito de informar já não são mais uma exclusividade de regimes autoritários e ditaduras.

A chegada ao poder de Donald Trump, nos Estados Unidos, e a campanha pelo Brexit, no Reino Unido, banalizaram os discursos anti-mídia, “fazendo com que o mundo entre na era da pós-verdade, da desinformação e das notícias falsas”, escreve o RSF. Os ataques recorrentes à imprensa, o avanço de leis que limitam a expressão, os conflitos de interesse e o não respeito ao sigilo das fontes contribuíram para que inúmeros países, antes considerados exemplares, fossem rebaixados.

Em apenas um ano, o número de países onde a liberdade de imprensa era considerado “boa” ou “quase boa” diminuiu 2,3%. O Canadá perdeu 4 posições em relação ao ano passado e ocupa o 22° lugar; Estados Unidos perderam dois pontos e recuaram para a 43ª posição; a Nova Zelândia caiu do 5° para o 13° lugar, e a Namíbia da 17ª para a 24ª, por exemplo.

Recuo da liberdade de imprensa na Europa

A erosão da liberdade de imprensa é especialmente visível nas democracias europeias. No ranking de 2017, até mesmo os países nórdicos, que tradicionalmente ocupam o topo da lista, recuaram no índice calculado a partir de seu desempenho em matéria de pluralismo, independência das mídias, respeito à segurança e à liberdade dos jornalistas.

Pela primeira vez em seis anos, a Finlândia saiu da liderança e está agora no 3° lugar, atrás da Suécia, e a Holanda, que ocupava o 2° lugar no ano passado, agora está na 5ª posição. Apesar da degradação, a Europa permanece a zona geográfica mais bem colocada em termos de índice global, mas ao mesmo tempo o velho continente apresentou a degradação mais acentuada no período de cinco anos: 17,5%.

“ A virada de democracias tradicionais é vertiginosa. Esse abalo provoca insegurança em todos que pensam que sem uma liberdade de imprensa sólida, as outras liberdades fundamentais não poderão ser garantidas”, analisou Christophe Deloire, secretário-geral da Repórteres sem Fronteiras.

Triunfo de modelos autoritários

A liberdade de imprensa recua com o triunfo do modelo do político autoritário em vários países. A RSF dá destaque para a situação na Polônia (54ª), de Jaroslaw Kaczynski, que perde sete lugares no Ranking 2017. Após transformar o audiovisual público em ferramenta de propaganda política, o governo se dedicou a estrangular financeiramente vários títulos de imprensa independentes opostos às suas reformas. A

Outro país europeu que preocupara a ONG é a Hungria (71ª) de Viktor Orbàn que recuou quatro posições. Já a Turquia se transformou na maior prisão do mundo para jornalistas, após o golpe de estado fracassado do ano passado. O país, que já não era um grande defensor da liberdade de imprensa, perdeu quatro posições e está no 155° lugar, confirmando que o presidente Recep Tayyip Erdogan “voltou-se decididamente para o lado dos regimes autoritários”. A Rússia de Vladimir Putin permanece na base do Ranking, na 148ª posição.

Aumento do número de países em situação difícil

A RSF lamenta que o mapa da liberdade de imprensa no mundo esteja cada ano mais sombrio. O relatório de 2017 constata um aumento do número de países onde o exercício da profissão de jornalista está em perigo.

Segundo a ONG, 72 países, cinco a mais do que em 2016, se encontram em situação "difícil" ou "muito grave", como China, Cuba e Egito. Ao todo, cerca de dois terços dos 180 países listados apresentaram um agravamento da situação em relação ao ano passado.

Três países, governados por ditadores, monopolizam há 12 anos as três últimas posições: Coreia do Norte, Eritreia e Turcomenistão. Única mudança: em 2016 era a Eritreia que fechava a lista.

Brasil ganha uma posição

O Brasil ocupa o 103° lugar no ranking da liberdade de imprensa 2017 da RSF. Apesar de ter subido uma posição em relação ao ano passado, o país continua sendo um dos mais violentos da América Latina para o exercício da profissão de jornalista.

A impunidade diante de ameaças, agressões em manifestações e assassinatos e a forte instabilidade política, ilustrada pela destituição de Dima Rousseff em 2016, impedem a plena liberdade de expressão no Brasil, segundo a ONG. A RSF denuncia ainda a quebra do sigilo das fontes jornalísticas pela justiça brasileira.

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