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Mundo

Pequim e Seul prometem novas medidas contra Coreia do Norte em caso de teste nuclear

media O minstro sul-coreano das Relações Exteriores, Yun Byung-Se (d) ao lado do enviado especial da China, Wu Dawei (L), durante reunião em Seul. REUTERS/JUNG Yeon-Je/Pool

China e Coreia do Sul concordaram nesta segunda-feira (10) sobre a necessidade de adotar novas medidas contra o regime norte-coreano em caso de um teste nuclear. A decisão foi anunciada no momento em que uma frota aeronaval americana segue em direção à península coreana, aumentado a tensão na região.

"Concordamos que devem ser adotadas duras medidas adicionais, baseadas nas resoluções do Conselho de Segurança da ONU, se o Norte seguir adiante com um teste nuclear ou o lançamento de um míssil balístico intercontinental, apesar das advertências da comunidade internacional", declarou Kim Hong-kyun, enviado de Seul para questões nucleares, após uma reunião na capital sul-coreana com o representante chinês para o tema, Wu Darei.

Pyongyang poderia estar cogitando uma "provocação estratégica" para marcar algumas datas políticas chaves este mês, disse Kim, para quem a visita do alto diplomata chinês envia "um forte aviso" ao regime norte-coreano. Wu não falou com a imprensa após o encontro.

A China é o único aliado e apoio econômico da Coreia do Norte e, em fevereiro, decidiu suspender todas as importações de carvão norte-coreano como punição pelo último teste de míssil de Pyongyang.

O presidente americano, Donald Trump, que surpreendeu na semana passada pela rapidez na decisão de bombardear uma base aérea síria, pediu a sua equipe um "leque completo de opções" contra o programa nuclear de Pyongyang. O anúncio foi feito no domingo (9) pelo conselheiro de Segurança Nacional, o general H.R. McMaster.

Muitos analistas temem que a Coreia do Norte prepare um sexto teste nuclear por ocasião da iminente celebração do 105º aniversário do nascimento do fundador do regime, Kim Il-sung.

Governo Trump entra em nova fase de política externa

O encontro desta segunda-feira aconteceu poucos dias depois da primeira reunião entre Donald Trump e o presidente chinês, Xi Jinping. O chefe da Casa Branca pediu a Pequim mais esforços para conter as ambições nucleares da Coreia do Norte. "Estamos preparados para traçar nossa própria estratégia, caso a China não possa coordenar isto conosco", declarou o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, após a reunião entre Trump e Xi.

Depois de um início de mandato concentrado em questões internas, o governo de Trump parece ter entrado em uma nova fase de intervenções internacionais. A estratégia vem se desenhando de forma concreta desde quinta-feira, quando as forças dos Estados Unidos lançaram mísseis Tomahawk contra a base aérea síria a partir da qual, segundo Washington, decolaram os aviões responsáveis por um ataque químico contra a cidade rebelde de Khan Sheikhun, na terça-feira passada.

Analistas consideram, de fato, que o ataque americano também foi um sinal para Pyongyang e Pequim, com o objetivo de mostrar a mudança de estratégia de Washington nos temas geopolíticos mais complexos. A Coreia do Norte classificou o ataque americano na Síria de "agressão intolerável" que demonstrava "mais de um milhão de vezes" a pertinência de seu programa nuclear.

Coreia do Norte intensifica programa nuclear balístico

O regime de Kim Jong-un, que almeja que as ogivas nucleares norte-coreanas tenham a capacidade de alcançar o território continental dos Estados Unidos, acelerou muito os programas nuclear e balístico nos últimos meses. O país realizou o quarto e quinto teste nucleares desde o início de 2016.

O ministro sul-coreano da Unificação, Hong Yong-pyo, afirmou nesta segunda-feira que as consequências de uma possível ação militar contra a Coreia do Norte poderiam ser preocupantes. "Ataques preventivos talvez busquem resolver o problema nuclear norte-coreano, mas nós temos que pensar na segurança da população", disse.

O interesse dos bombardeios é que Washington poderia “forçar a Coreia do Norte a diminuir sua nuclearização", explica James Kim, analista do Instituto Asan de Estudos Políticos de Seul. "Mas isto teria um custo enorme para a região e para os Estados Unidos", completa, ao alertar para o risco de uma desestabilização regional.

(Com informações da AFP)

 

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