Ouvir Baixar Podcast
  • 09h30 - 09h33 GMT
    Jornal 30/04 09h30 GMT
  • 09h30 - 09h36 GMT
    Jornal 28/04 09h30 GMT
  • 09h33 - 09h57 GMT
    Programa 30/04 09h33 GMT
  • 09h36 - 09h57 GMT
    Programa 28/04 09h36 GMT
  • 09h57 - 10h00 GMT
    Flash de notícias 30/04 09h57 GMT
  • 15h00 - 15h06 GMT
    Jornal 30/04 15h00 GMT
  • 15h06 - 15h27 GMT
    Programa 30/04 15h06 GMT
  • 15h27 - 15h30 GMT
    Flash de notícias 30/04 15h27 GMT
Para poder acessar todos os conteúdos multimídia, você deve instalar o plugin Flash no seu navegador. Para se conectar, você deve ativar os cookies nas configurações do navegador. O site da RFI é compatível com os seguintes navegadores: Internet Explorer 8 e +, Firefox 10 e +, Safari 3 e +, Chrome 17 e +.

Com ataque à Síria, Trump quis dar recado às outras potências mundiais

Com ataque à Síria, Trump quis dar recado às outras potências mundiais
 
Um homem respira com uma máscara de oxigênio, após resgate descrito como um ataque de gás na cidade de Sheikhoun Khan , Síria 04 de abril de 2017. REUTERS/Ammar Abdullah

É uma reviravolta e tanto. Donald Trump queria se entender com a Rússia e chegou a declarar que na Síria não havia solução sem o presidente Bachar Al-Assad, protegido do Kremlin e do Irã. De repente, o magnata-presidente sai defrontando os russos com uma pirotecnia militar e afirma que Assad vai ter ir embora.

 

Trump alegou uma imensa emoção diante do caráter hediondo de crianças sufocadas com gás de sarin pela aviação de Damasco. E não há dúvida de que se trata de uma crime de guerra e de uma violação explícita da convenção internacional sobre armas químicas. E não é a primeira vez que o governo sírio utiliza esse tipo de armas contra a sua própria população. Mas tem algo mais tradicional na ação americana do que a emoção do presidente. Desperdiçar 60 mísseis de cruzeiro Tomahawk (que custam um milhão e meio de dólares cada) contra uma base aérea quase vazia é um ato simbólico dos mais persuasivos.

Os Estados Unidos têm condições e vontade política para intervir de maneira unilateral quando achar que seus interesses são ameaçados, e ninguém, nem a Rússia nem a China, tem capacidades militares e econômicas para encarar um enfrentamento direto. Aliás, Washington avisou Moscou com uma hora de antecedência para não criar atritos inúteis, e as forças armadas russas na Síria não ativaram suas defesas antiaéreas contra os Tomahawks pela mesma razão.

Mas a situação na Síria tem pouco a ver. O sinal enviado por Trump é destinado ao mundo inteiro e sobretudo às outras potências militares. O slogan de Trump – “Primeiro a América” – não reflete um novo isolacionismo americano. A nova Casa Branca não está a fim de brincar de polícia do mundo, mas continua disposta a defender –unilateralmente se for preciso – os seus interesses nacionais e globais, e a manter o papel de avalista em última instância da segurança do planeta. E quando os dois combinam, melhor ainda: o presidente fez questão de declarar que o respeito aos acordos internacionais sobre armas químicas fazia parte dos interesses nacionais americanos.

Pirotecnia militar

De repente, o magnata-presidente sai defrontando os russos com uma pirotecnia militar e afirma que Assad vai ter ir embora. Como, aliás, também aos acordos de não-proliferação nuclear: Washington avisou que se Pequim não tomasse providências para interromper o programa nuclear da Coréia do Norte, as forças armadas americanas teriam que resolver o problema sozinhas. E para mostrar que não era pilhéria, Trump tomou a decisão de bombardear a base aérea síria durante o jantar com o presidente chinês Xi Jinping e mandou um poderoso grupo aeronaval da US Navy para as costas coreanas.

Mas a grande novidade – que pouca gente esperava do magnata louro – é deixar bem claro para os outros membros permanentes do Conselho de Segurança, e para potências regionais hostis, de que é melhor se entender previamente com os Estados Unidos antes de tomar decisões contrárias irreversíveis. A Rússia, o Irã ou a Turquia não devem nem pensar em resolver o conflito na Síria sem o aval da Casa Branca. E a China que cuide de convencer seriamente os norte-coreanos de abandonar a corrida nuclear, e de moderar as provocações navais no mar da China meridional. Para Trump, isso é novidade, mas não é tanto para a política externa americana.

Rússia sempre foi adversária

A reviravolta está vinculada ao fato de que a chamada “comunidade de segurança” americana – o Pentágono, a CIA, a NSA, a Segurança Interna, e o Conselho de Segurança da Casa Branca, todos comandados por generais – conseguiram afastar a facção mais isolacionista que defendia uma relação de amizade com Vladimir Putin. É a volta do establishment da política externa, defensor de uma Europa unida e de uma OTAN forte, que sempre considerou a Rússia como um adversário e que não está a fim de abandonar os aliados europeus ou asiáticos frente às ameaças russas ou chinesas. Apesar das emoções do magnata no poder, a nova visão da Casa Branca tem mais continuidade do que originalidade. Resta saber se o mercurial Donald Trump não vai de novo mudar de ideia.
 


Sobre o mesmo assunto

  • Imprensa

    Bombardeio dos EUA na Síria coloca um fim na amizade entre Trump e Putin

    Saiba mais

  • Linha Direta

    Ataque de Trump à Síria pode ter impacto na discussão com Xi Jinping

    Saiba mais

  • Porta-voz do Estado Islâmico insulta Trump e convoca novos ataques

    Saiba mais

  • Linha Direta

    Trump deverá convencer democratas para votar reformas

    Saiba mais

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. ...
  5. seguinte >
  6. último >
Programas
 
O tempo de conexão expirou.