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A União Europeia “ainda não é casa da mãe Joana”, diz analista político

A União Europeia “ainda não é casa da mãe Joana”, diz analista político
 
O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, apelou às “instituições internacionais” para que “imponham sanções à Holanda” depois que o país proibiu campanha em favor do reforço dos poderes presidenciais. REUTERS/Alexander Zemlianichenko

Sempre houve tentativas de interferências estrangeiras nas democracias nacionais. Mas agora está virando bagunça. O presidente autoritário turco Recep Tayyip Erdogan decidiu lançar um referendo que lhe dará plenos poderes. Mas tem que contar com os votos dos emigrantes turcos na Europa para garantir a vitória no pleito.

Como se estivesse em casa, mandou simplesmente alguns de seus ministros fazer comícios em vários países europeus onde moram fortes minorias turcas. A Suíça, a Áustria, a Suécia e várias cidades alemãs avisaram que não aceitavam essa ingerência descarada. Sobretudo que boa parte dos turcos emigrados têm dupla nacionalidade e são portanto considerados como cidadãos dos países onde vivem. Sem falar nas ameaças à ordem pública interna, já que parte expressiva desses emigrados são turcos de origem curda que odeiam Erdogan.

Não deu outra: o desbocado autocrata turco acusou a Alemanha de “práticas nazistas” e despachou o seu ministro de Relações Exteriores para um comício em Roterdã. E quando os holandeses proibiram o pouso do avião do ministro, Erdogan não somente mandou sua ministra da Família por via terrestre – também foi expulsa –, mas ameaçou a Holanda de represálias e tratou o governo da Haia de “remanescentes do nazismo”. Desta vez, o novo Sultão turco passou muito além da Tapobrana. Como se tivesse todo o direito de xingar de maneira infamante e considerar a Europa como capacho para limpar os sapatos.

Antigamente, o jogo democrático interno, apesar das possíveis influências estrangeiras, era garantido por uma cidadania nacional definida por fronteiras relativamente estanques. Mas a globalização levou tudo de roldão. A economia, as questões sociais ou meio-ambientais, as referências culturais e sobretudo a informação e a comunicação entre indivíduos e grupos, atravessam qualquer limite geopolítico. Governos nacionais possuem cada vez menos instrumentos para resolver os problemas de seus administrados. Na verdade, estão se transformando em administradores locais de desafios globais que os ultrapassam.

Resultado: os cidadãos não acreditam mais nas promessas dos políticos e os próprios políticos sabem que não tem mais capacidade de dar satisfação aos eleitores. Os partidos representativos estão se fragmentando e perdendo a representatividade, enquanto demagogos e populistas prosperam prometendo governos fortes e soluções simplistas e completamente ilusórias. Nessa confusão geral, qualquer eleição nacional virou prato cheio para aventureiros políticos e para governos autoritários, inimigos declarados das sociedades democráticas.

Putin, mestre da "desagregação de adversários"

Nas últimas décadas do século 20, a ingerência externa tinha quase sempre um cunho golpista para instalar ditaduras militares pró-ocidentais ou regimes comunistas pró soviéticos. Hoje, o objetivo dos regimes autoritários, também ameaçados pela globalização, é manter o próprio poder doméstico. Portanto, a ideia é enfraquecer as democracias liberais – e o dito “mal” exemplo que elas espalham. Falsificação de informações, ataques cibernéticos, intromissões diretas nas campanhas eleitorais, financiamento de partidos chauvinistas e xenófobos, apoio a governos ditatoriais ou que flertam com soluções autoritárias, ameaças de represálias, provocações militares, manipulação de emigrantes ou minorias étnicas: vale tudo para tentar subverter os regimes democráticos por dentro.

O russo Vladimir Putin é mestre nesse jogo de desagregação dos adversários. Hoje, o novo tzar do Kremlin está metido em quase todos os processos eleitorais na Europa. Erdogan, menos sofisticado, quis entrar de sola mandando membros do seu governo disputar eleições turcas nos países europeus. Mas apesar de seus problemas a União Europeia ainda não é casa da mãe Joana e o tiro saiu pela culatra.

Na verdade, estamos só no começo desta crise geral da democracia representativa. Claro é uma oportunidade para autoritarismos oportunistas. Mas também o é para todos aqueles – políticos, organizações da sociedade civil e até simples cidadãos – que estão procurando novas formas de democracia adaptadas ao nosso mundo globalizado. Diante da ingerência “do mal”, a solução é a ingerência “do bem”. E não a saudade de “velhos tempos”, que aliás não eram tão bons assim.


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