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Com Trump, Israel espera relançar relação com EUA

Com Trump, Israel espera relançar relação com EUA
 
Donald Trump e Benyamin Netanyahu se encontraram no último dia 25 em Washington Kobi Gideon/Government Press Office (GPO)/Handout via REUTERS

Nesta quarta-feira (15), os dois chefes de estado se encontram em Washington e prometem deixar para trás a política do ex-presidente Barack Obama em relação ao primeiro-ministro israelense, que criticou abertamente as construções de novos assentamentos durante seu mandato.

Lígia Hougland, correspondente da RFI em Washington

O encontro entre o premiê Benjamin Netanyahu e o presidente americano Donald Trump é carregado de expectativas. O primeiro-ministro israelense nunca teve muita sorte com presidentes americanos e a eleição de Trump deu uma injeção de ânimo em Netanyahu, que poderá, finalmente, estabelecer um relacionamento mais próximo e positivo com a Casa Branca. Benjamin Netanyahu e seu governo, considerado o mais à direita da história de Israel, pensam que, com Donald Trump na Casa Branca, haverá uma melhoria nas relações com EUA, após oito anos de tensões com o governo de Barack Obama. Durante a campanha presidencial, o presidente magnata prometeu ser o presidente mais pró-Israel que já existiu.

Durante o seu primeiro mandato, nos anos 90, o diálogo entre Netanyahu e o então presidente americano, Bill Clinton era difícil. E, para o azar de Bibi, quando voltou ao poder, em 2009, ele encontrou um presidente americano ainda mais contrário ao movimento conservador em Israel e, pessoalmente, ao primeiro-ministro. Obama é considerado por muitos como o presidente americano menos amigo de Israel, uma atitude que fez com que muitos judeus americanos e tradicionalmente democratas começassem um namoro com o partido Republicano. Trump prometeu, durante sua campanha, que Israel não seria mais tratado como "cidadão de segunda categoria" no momento em que ele assumisse a presidência.

Irã, assentamentos e mudança de embaixada

O encontro marca o início do que pode ser uma nova era de sintonia entre Washington e Jerusalém. Os dois chefes de estado têm uma agenda ambiciosa e complexa. Os três principais tópicos são Irã, assentamentos e mudança da embaixada americana para Jerusalém. Israel foi contra o acordo nuclear com o Irã, e Trump declarou várias vezes que o acordo é uma "desgraça". Disse ainda que o Irã não mostrou nenhuma gratidão pelo acordo que Obama ofereceu. Agora, é a chance de Netanyahu descobrir quais exatamente são os planos de Trump para o Irã, e se realmente vão ser tomadas medidas duras contra o país, que preocupa Israel e a Arábia Saudita.

Questionado, Trump se recusa a elaborar sobre sua estratégia quanto ao Irã, dizendo que ao contrário do governo de Obama, ele não vai anunciar seus planos antes de agir. Certamente, o primeiro-ministro vai pedir que os Estados Unidos inibam o Irã de forma definitiva, e o Trump pode aproveitar para tentar fazer com que Israel coopere com a Arábia Saudita e outros estados do grupo sunita para combater a ameaça iraniana. Se isso acontecesse, Israel provavelmente teria de fazer algumas concessões em relação à Palestina, e Trump conseguiria atingir sua meta de realizar a mais importante negociação já feita.

Quanto à promessa de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel, ela é tradicionalmente popular em campanhas presidenciais, mas que nunca avança depois que o candidato é eleito. Primeiro, Trump tinha prometido que iria transferir a embaixada para Jerusalém rapidamente. Agora ele diz que deve acontecer, mas que Israel precisa ser razoável com respeito à paz. Então ele também pode usar isso como poder de barganha com Netanyahu para negociar um acordo de paz com a Palestina. 

Netanyahu vem à capital americana sob a pressão do movimento da direita israelense que quer a aprovação americana para a expansão dos assentamentos, mas o primeiro-ministro sabe que ele terá de navegar com cuidado quanto aos assentamentos e, inclusive, falou em uma reunião de gabinete, antes de partir para Washington, que o presidente americano é temperamental e é preciso usar de cautela para não arriscar um fim abrupto dessa nova camaradagem.

Genro de Trump é judeu ortodoxo

Trump tem pavio curto e, recentemente, ele disse que prosseguir com os assentamentos não ajudava no processo de paz. Por outro lado, o genro de Trump, Jared Kushner, é judeu ortodoxo e não esconde que é a favor dos assentamentos. Trump confia muito nele, tanto que o nomeou assessor sênior da presidência. Mas as opiniões de Trump não são estáveis. Há menos de um ano, ele se recusava a defender um dos lados e dizia que seria neutro em relação ao conflito entre Israel e Palestina. Netanyahu está certo em agir com cautela, pois essa é uma oportunidade de ouro para que consegue avançar a agenda da direita de Israel com o apoio dos Estados Unidos. Todo cuidado é pouco quando se negocia com uma personalidade explosiva e impulsiva como a de Trump.

O primeiro-ministro vai ser recebido em um momento tenso na Casa Branca por causa do escândalo que levou ao pedido de demissão de Michael Flynn, que era assessor sênior de segurança nacional e maior aliado de Netanyahu dentro do governo Trump. Apesar de Trump na teoria ser claramente pró-Israel, a prioridade dele é sempre a sua marca. E não dá para saber qual seria a reação de Trump, se alguém colocasse um obstáculo que atrapalhe sua ambição de realizar a maior negociação já feita. E o primeiro-ministro israelense não é tão diferente de Trump. O relacionamento, que começou caloroso, pode de repente se transformar numa fogueira de vaidades.
 


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