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Há solução para controlar a poluição em grandes cidades?

Há solução para controlar a poluição em grandes cidades?
 
População de Pequim enfrenta frequentemente graves picos de poluição. REUTERS/Thomas Peter

Paris, Madri, Pequim, São Paulo, Cidade do México... a lista de metrópoles em todo o mundo em que a poluição se tornou um problema cotidiano e incontrolável é grande. Em comum entre essas cidades, o aumento das atividades industriais e a agrícolas, da frota de veículos, do uso de combustíveis poluentes, e, nas cidades do hemisfério norte, durante o inverno, a utilização de sistemas de aquecimento com queima de madeira. Esse é o preço da modernização, aliado à falta de políticas públicas eficazes. Mas será que é possível resolver a questão de forma efetiva?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) calcula que 90% de todas as pessoas do planeta vivem em lugares onde a qualidade do ar está fora dos padrões. Nenhum continente é poupado do problema atualmente, que resulta na morte de 6,5 milhões de indivíduos todos os anos de doenças causadas pela poluição.

Para Paulo Saldiva, médico especialista em poluição atmosférica e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), há soluções para combater o problema. Mas, paralelamente, também existe resistência dos governos em aplicar medidas eficazes em prol da qualidade do ar.

"A poluição do ar está associada com hábitos que propiciam o nosso conforto: veículos, aquecimento, energia elétrica abundante. Além disso, a indústria automobilística, petroleira, entre outras, geram uma grande quantidade de empregos. A questão é muito mais política do que técnica", explica.

Segundo Saldiva, o ponto-chave do problema é o que os economistas chamam de externalidade. O especialista exemplifica lembrando que quando a prefeitura de Dublin, na Irlanda, no final dos anos 1990, decidiu banir o uso de carvão como fonte de energia elétrica, houve muitos protestos. Mas, no ano seguinte à decisão, houve uma queda importante do número de mortes e internações por doenças cardiorrespiratórias.

"Avaliar a externalidade é a grande dificuldade hoje. Se você comparar o preço da energia de uma usina térmica ao preço da energia de uma usina solar ou eólica, sem considerar as externalidades, ou seja, queimar combustível sem pensar nos dados à população, você acaba sempre optando pela opção mais 'suja'", analisa.

França sofreu com poluição em dezembro

A França, onde a poluição é a terceira causa de morte prematura e mata 48 mil pessoas por ano, viveu picos de poluição consecutivos em dezembro, os piores dos dez últimos invernos no hemisfério norte. Para resolver o problema, a única solução apresentada foi adotar o sistema de rodízio de veículos. A decisão, considerada como uma medida paliativa pelos ecologistas, foi extremamente criticada. Além disso, muitos motoristas se recusaram a aderir à iniciativa, preferindo correr o risco de pagar a multa de € 20, um valor que militantes ambientais consideram baixo.

Em entrevista à RFI, Olivier Blond, presidente da Ong francesa Respire, explicou que, para pressionar as autoridades, tomou uma decisão radical: processar o Estado. "O governo não está fazendo o seu trabalho de proteger os cidadãos, que não têm consciência da gravidade do problema porque a poluição do ar é é invisível. Você imagina que ela está irritando seu nariz, sua garganta seus pulmões, mas esses são apenas pequenos efeitos da poluição do ar. A verdade é que a poluição entra em sua circulação sanguínea e se espalha por todo o corpo. Há estudos recentes que mostram que a poluição pode também atingir seu cérebro e que pode causar até mesmo Mal de Parkinson, Alzheimer e vários tipos de câncer", alerta.

Além de todas essas doenças, o pneumologista Patrick Ruffin, ressalta que as regiões metropolitanas vem apresentando uma nova problemática, que se tornou um desafio para os pesquisadores na questão. "Fazemos os estudos sobre os prejuízos dos poluentes separadamente. Mas o grande perigo da poluição nas cidades atualmente é que se descobriu que os poluentes estão interagindo uns com os outros, tornando-os ainda mais perigosos", adverte.

Pensar em mobilidade de massa

Para Paulo Saldiva, é preciso que os governos apresentem novas soluções para a mobilidade de massa. "As pessoas se locomovem cada vez mais porque o preço de morar em grandes cidades é cada vez mais alto e as pessoas são obrigadas a se mudar para as periferias. Existem alternativas, como usar carros compartilhados, fechar a circulação em algumas regiões do centro - como fez Londres e como Paris quer fazer", exemplifica.

Pensar em alternativas para energias mais limpas também deveria ser prioridade dos Estados, reitera o especialista. "Eu prevejo que o combustível fóssil como um motor dominante está com os dias contados."

Ruffin é mais pragmático. De acordo com ele, o problema da poluição poderá começar a ser resolvido quando as pessoas tomarem consciência de que é necessário se locomover nas grandes cidades sem carros. "Não é tão complicado assim", diz o pneumologista que, dentro de Paris, só anda de bicicleta.


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