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Com Trump, relação entre China e EUA será tensa em 2017

Por
Com Trump, relação entre China e EUA será tensa em 2017
 
O presidente americano eleito, Donald Trump 路透社

Em 2016, a atualidade da Ásia seguiu dominada pela China. O país que experimentou uma leve retração do PIB segue forte em um padrão de crescimento batizado de “novo normal” pelo governo e expande seu papel como um ator internacional.

Luíza Duarte, correspondente da RFI em Hong Kong

A segunda maior economia mundial tem se mostrado cada vez mais presente em questões internacionais. Ela intensificou sua presença militar no Mar do Sul da China, sediou o G20 e ratificou o Acordo de Paris sobre o clima ao lado dos Estados Unidos. A chegada de 2017 acontece em um momento marcado pelas incertezas na relação entre China e o novo governo americano.

O presidente americano, Barack Obama, anunciou em solo chinês, ao lado do presidente da China, Xi Jinping, a ratificação do Acordo de Paris sobre a mudança climática. Os dois maiores emissores de poluentes do globo encerravam semanas de intensas negociações e davam um passo importante na luta contra o aquecimento global. A China sediava o G20 e a imagem faz parte de um dos momentos de 2016 que vão entrar para a história.

No entanto, desde a eleição de Donald Trump à presidência americana, a relação entre as duas maiores potências mundiais tem sido cercada por incertezas. As declarações de Trump sobre a necessidade de taxar produtos chineses levantam a questão sobre uma possível guerra comercial entre os dois.

Em novembro, o telefonema entre Trump e a presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, foi visto como uma provocação pelo governo chinês, já que Pequim não reconhece a independência da ilha. Esse mês, a China capturou um drone submarino americano no Mar do Sul da China. Trump acusou o país asiático de ter roubado o equipamento em mais uma polêmica, que sinaliza um novo panorama nas relações China-Estados Unidos, com a chegada de Trump à Casa Branca no próximo mês.

A polêmica presidência filipina

O presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, chegou ao poder no final de junho. Com a promessa de erradicar o tráfico de drogas no país, ele lançou uma severa campanha de combate às drogas, que já provocou a morte de ao menos 6 mil pessoas. Um número que Duterte garante que vai aumentar. O presidente filipino admitiu ter executado pessoalmente criminosos e vem sendo acusado de autorizar e incentivar a ação de esquadrões da morte.

Famoso por suas declarações polêmicas, Duterte chegou a se comparar ao líder nazista Hitler e a xingar Obama publicamente. O presidente filipino quer rever o acordo de cooperação de defesa com os Estados Unidos. Duterte se voltou para a China em busca de apoio político e financeiro e vem esfriando a relação com os americanos, tradicionais aliado do país.

Crise política na Coreia do Sul

A Coreia do Sul vive sua crise política mais severa das últimas décadas, submersa em um escândalo de tráfico de influências. A presidente sul-coreana, Park Guen-hye, está afastada do governo à espera de uma decisão final sobre um processo de impeachment contra ela. A suspeita é que Park permitiu que uma amiga interferisse diretamente em assuntos de Estado para ter vantagens financeiras.

Duas fundações mantidas pela amiga da presidente teriam sido usadas para receber milhões de dólares em doações de empresas. Os valores, em seguida, teriam sido desviados para uso pessoal.

A presidente afastada nega as acusações, mas perdeu essa semana o apoio de quase 30 parlamentares, que deixaram seu partido. Há nove semanas consecutivas os sul-coreanos saem às ruas do país pedindo sua renúncia imediata. Caso o impeachment da presidente seja confirmado pela Corte Constitucional do país, a Coreia do Sul terá eleições presidenciais antecipadas no próximo ano.

Coreia do Norte aprimora programa nuclear

Segundo as recentes declarações de Thae Yong-Ho, diplomata norte-coreano do alto escalão - que desertou de seu posto de Vice-Embaixador do país no Reino Unido - o líder norte-coreano, Kim Jong-Un, deve aproveitar a transição política nos Estados Unidos e a crise que vem paralisando a vizinha Coreia do Sul para concluir em 2017 o desenvolvimento de seu programa nuclear.

Nesse ano, o país realizou numerosos lançamentos de mísseis balísticos e dois novos testes nucleares, gerando tensão na comunidade internacional. Os lançamentos realizados pelo governo norte-coreano ao longo de 2016 acarretaram em novas sanções internacionais contra o país que, dessa vez, tiveram o apoio da China, seu principal aliado.

 


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