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Mundo

Depois do Rio, Paris assume liderança do C40 contra mudanças climáticas

media A prefeita de Paris Anne Hidalgo recebe a presidência do C40 de Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro, em 1° de dezembro de 2016. REUTERS/Henry Romero

O Grupo de Liderança Climática das Cidades (C40), a maior rede de cidades globais, é presidido pela primeira vez pela prefeita de Paris, Anne Hidalgo, que assume o cargo depois do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes. A missão da organização, que se reúne esta semana no México é ambiciosa: manter o aquecimento global abaixo de 2°C, antes que os gases de efeito estufa saturem completamente a atmosfera.

Nesta quinta-feira (1°), foram assinados novos compromissos para concretizar inventários e planos para reduzir as emissões de gases de efeito estufa até 2020, conforme estabelece o Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas. A prefeita da capital francesa, Anne Hidalgo, afirmou na quarta-feira (30) que “México, Paris e outras cidades pioneiras anunciarão as novas medidas para lutar contra a poluição do ar". Entre as propostas estão incentivar o uso da bicicleta e do transporte público, o desenvolvimento de edifícios ecológicos e a transição para fontes de energia renováveis.

Enquanto os gases de efeito estufa saturam cada vez mais a atmosfera, "a janela de oportunidade está se fechando", afirma um relatório oficial do C40, que adverte: "As cidades pagarão o preço da inação". "Se nossos costumes e infraestruturas seguirem se desenvolvendo nas proporções atuais, em cinco anos o mundo terá emitido a quantidade suficiente de gases para superar os 2ºC". Precisamente, um terço das emissões são resultado de atividade urbana (infraestruturas, urbanismo, transporte etc), acrescenta o estudo, intitulado "Deadline 2020" (“Prazo 2020”, em português).

Para que seja respeitado em escala mundial, o limite de 2°C, que os países decidiram no fim de 2015, no chamado Acordo de Paris, as grandes cidades deverão reduzir suas emissões de cinco toneladas de gás carbônico por habitante a cada ano a três toneladas em 2030 e 0,9 em 2050. As propostas serão submetidas aos membros do C40 no México esta semana.

"As soluções estão nas cidades"

"Temos que compartilhar nossas experiências", disse o ex-prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, presidente do conselho de administração do C40. "As soluções estão nas cidades", insistiu. "Desde a eleição presidencial norte-americana foram manifestadas muitas preocupações [sobre o futuro da luta contra as mudanças climáticas]. O futuro governo [de Donald Trump] ainda não revelou sua política, mas os prefeitos nunca esperaram que Washington atue e seguirão dando o exemplo".

As medidas precisarão, no entanto, de US$ 375 bilhões nos próximos quatro anos, levando em conta apenas as cidades do C40, que representam 7% de emissões urbanas. A prefeita de Paris convocou os doadores a "apoiar as políticas climáticas em nível municipal". Entre as reivindicações da coalizão figuram o acesso das cidades aos financiamentos climáticos internacionais (do Fundo Verde, por exemplo).

No primeiro dia do encontro, na quarta-feira, o prefeito de Los Angeles, Eric Garcetti, anunciou que os prefeitos de 38 cidades dos Estados Unidos, incluindo Chicago, Washington, Nova York, Austin e Houston, enviaram uma carta a Trump para notificar que continuarão com seus esforços para lutas contra as mudanças climáticas.

O presidente eleito disse que as mudanças climáticas são um "mito" inventado pela China e ameaçou anular os compromissos de Washington de respeitar o Acordo de Paris.

Criado em 2005, o C40, com sede em Londres, reúne 85 cidades, como Nova York, San Francisco, Vancouver, Londres, Paris, Moscou, Roma, Milão, Atenas, Seul, Bombaim, Jacarta, Melbourne, Hong Kong, Pequim, São Paulo, Buenos Aires, Cidade do Cabo e Cairo.

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