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Américas

Daniel Ortega é reeleito presidente da Nicarágua

media Daniel Ortega y su esposa Rosario Murillo tras sufragar el 6 de noviembre. REUTERS/Oswaldo Rivas

O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, obteve o terceiro mandato consecutivo nas eleições deste domingo (6), com 71,3% dos votos de acordo com a apuração preliminar. Dirigentes da oposição anunciaram que não reconhecem o resultado por uma suposta abstenção em massa.

De acordo com a apuração de 21,3% das urnas divulgada pelo Conselho Supremo Eleitoral (CSE), o líder sandinista aparece com 71,3% dos votos, contra 16,4% para o candidato de direita do Partido Liberal Constitucionalista (PLC), Maximino Rodríguez.

Ortega governou a Nicarágua entre 1979 e 1990, durante a revolução sandinista, e depois a partir de 2007. Mas a oposição considerou que a eleição foi marcada por uma abstenção em massa, cerca de 80%, mesmo em locais onde a influência do partido de Ortega, a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), é tradicional.

Esposa e vice-presidente

Ortega, que completará 71 anos em 11 de novembro, governará em seu terceiro mandato ao lado da esposa e braço-direito, Rosario Murillo, que será vice-presidente. Militante sandinista desde a década de 1970 e mãe de dez filhos, dois adotados, esta excêntrica poetisa de 65 anos, conhecida por seu estilo autoritário, é adorada pelos simpatizantes de Ortega e apelidada de "bruxa" pelos opositores.

"Durante os últimos dez anos, a senhora Murillo assumiu em muitas ocasiões as funções de chefe de Estado", disse à AFP por e-mail Verónica Rueda Estrada, especialista em Nicarágua da Universidade de Quintana Roo, no México. A oposição, que qualifica as eleições como uma "farsa", busca impedir que Ortega, que controla todo o aparato estatal, instaure uma nova dinastia no país similar à da família Somoza, que governou a Nicarágua entre 1934 e 1979.

Empréstimos em risco

Nos últimos 10 anos, Ortega acumulou um enorme poder político e econômico graças à condução de seu partido, uma aliança com o setor empresarial e o apoio da Venezuela. Segundo dados oficiais, entre 2007 e o primeiro semestre de 2016 a Nicarágua recebeu quase 4,8 bilhões de dólares em empréstimos em condições favoráveis e investimentos da Venezuela, que foram administrados fora do orçamento e sem fiscalização.

A maior parte deles foi investida em projetos de energia, desenvolvimento de comércio, grupos empresariais, agricultura, construção de casas e programas sociais que permitiram reduzir a pobreza de 42,5% a 29,6% entre 2009 e 2014. Mas a crise política e os baixos preços do petróleo afetaram os fluxos de cooperação e o comércio com a Venezuela, que até 2015 era o segundo sócio em importância da Nicarágua, depois dos Estados Unidos.

No entanto, de acordo com o analista Cirilo Otero, professor de sociologia da Universidade Centro-Americana, o governo se preparou para sobreviver sem a Venezuela, buscando petróleo em outros mercados, como Estados Unidos.
 

(Com informações da AFP)

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