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Mundo

EI mata 30 civis, incluindo várias crianças, no Afeganistão

media Funeral de vítima de ataque no Afeganistão AFP

Ao menos 30 civis, incluindo várias crianças, morreram em um ataque do Estado Islâmico (EI) na madrugada desta quarta-feira (26) em Ghor, centro do Afeganistão, o que provoca temores de uma presença mais forte do grupo extremista além de sua base inicial no leste do país.

Até o momento, o EI havia reivindicado dois ataques violentos contra a comunidade xiita de Cabul, com 85 mortos e mais de 400 feridos em 23 de julho e 18 mortos e 50 feridos em 10 de outubro, mas parecia confinado à província oriental de Nagarhar.

" O massacre foi uma represália pela morte de um comandante do EI", disse o governador de Ghor, Nazir Jazeh.

"As forças de segurança, com a ajuda dos moradores da localidade, realizaram na terça-feira uma operação e mataram um comandante do EI chamado Faruk. Em represália, os combatentes do grupo extremista sequestraram 30 moradores, em sua maioria pastores. Esta manhã vários moradores da região encontraram os corpos", afirmou Jazeh.

De acordo com o porta-voz do governo provincial, Abdul Hai Jatebi, os corpos tinham marcas de tiros. "O comandante Faruk morreu quando os moradores tentavam impedir que os combatentes do EI roubassem gado", disse Jatebi.

Talibãs condenam o ataque

Os talibãs condenaram rapidamente o massacre de civis. "Não temos nada a ver com o incidente de Ghor. Estamos investigando", declarou o porta-voz talibã Zabuihullah Mujahid.

Na operação, morreram dois integrantes das forças de segurança, informou Abdul Hamid Nateqi, membro do Conselho Provincial. Os combates também incluíram duas tribos tadjiques que já haviam se enfrentado no passado: de um lado, os moradores Khodayar, unidos às forças de segurança, e do outro, os moradores de Morghabi, partidários do Estado Islâmico.

"Não sabemos quais são exatamente os vínculos da tribo dos Morghabi com o EI, mas ao que parece compartilham a mesma ideologia", disse Abdul Hamid Nateqi.

Governo exige retirada de tropas ocidentais

No início de 2015, vários partidários do EI surgiram no leste do Afeganistão e entraram em confronto diversas vezes com os talibãs, que lutam contra o governo central e exigem a retirada das tropas ocidentais, mas não aspiram uma jihad global.

O massacre de Ghor é a primeira grande operação do EI fora de suas bases.

Após o ataque de julho contra um protesto da minoria xiita hazara em Cabul, a aviação americana presente no Afeganistão como parte da missão da Otan Resolute Support intensificou os ataques contra o EI na região leste.

"O EI tem quase 1.000 combatentes, contra 3.000 em janeiro, em três distritos da província de Nangarhar", afirmou o general Charles Cleveland, porta-voz da missão.

"Apesar do elevado número de vítimas infligido pelos ataques, os combatentes do EI parecem determinados a proclamar um califado em Khorasan", província do Afeganistão, afirmou no domingo passado o general John Nicholson, comandante da Resolute Support.

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