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Arábia Saudita é maior exportador mundial de petróleo e fundamentalismo

Arábia Saudita é maior exportador mundial de petróleo e fundamentalismo
 
O rei Abdallah bin Abdelaziz Al-Saud d'Arabie Saoudite, no palácio real em Riad, 11/09/14. AFP PHOTO/POOL/BRENDAN SMIALOWSKI

A Arábia Saudita está cada dia mais encurralada. Como se o mundo inteiro estivesse cansado dos "salamaleques" ao regime no poder em Riad. Maiores exportadores de petróleo do mundo, a família reinante dos Al-Saud compraram – distribuindo polpudos cheques – a posição de maior potência do mundo muçulmano. Durante décadas, os sauditas determinaram os preços mundiais da energia: bastava abrir ou fechar a torneira dos poços. Com esse trunfo na mão, tornaram-se o principal aliado dos Estados Unidos e do Ocidente no Oriente Médio (tirando Israel, é claro).

Só que a Arábia Saudita também é o maior exportador de um produto particularmente tóxico: o wahabismo, um movimento religioso sunita ultra-fundamentalista, nascido dentro do salafismo – outra tendência radical do Islã sunita. Os seguidores do wahabismo estão convencidos de serem os únicos muçulmanos “puros” – os outros são “apóstatas” que devem de ser convertidos – ou até mortos. Isso no mundo sunita. Os xiitas são “heréticos” que deveriam ser exterminados se fosse possível.

Com essa ideologia radical, os Al-Saud saíram financiando o salafismo no mundo inteiro, ganhando uma enorme influência no mundo muçulmano, da Ásia à África do Norte e à Europa.

Era muita areia para um caminhãozinho só. Essa ambição toda não tinha condições de controlar o que estava fazendo. Os sauditas financiaram Bin Laden no Afeganistão para lutar contra os Russos. Daí nasceu o grupo terrorista Al-Qaeda, que acabou planejando os atentados do 11 de setembro nos Estados Unidos, financiados por alguns grupos não oficiais sauditas. Até hoje, os americanos não perdoaram.

Pior ainda: o grupo Estado Islâmico também recebeu ajuda de sauditas, que queriam utilizar essa barbárie terrorista para se manter no jogo geopolítico médio-oriental. Riad precisava de uma força sunita radical para enfrentar a concorrência dos xiitas e alauítas no poder em Bagdá e Damasco, sustentados pelo Irã xiita, o velho inimigo figadal. E também não podia deixar espaço para o islamismo mais moderado da Turquia de Erdogan, que almejava tornar-se a referência máxima do mundo árabe sunita.

Mudança de cenário político

Só que essas jogadas irresponsáveis saíram pela culatra. A intervenção americana no Iraque desestabilizou a região inteira. De repente, a Arábia Saudita teve que conviver com um Iraque dominado pelos xiitas e aliado do Irã. As “primaveras árabes” começaram favorecendo a Irmandade Muçulmana – uma seita sunita inimiga do salafismo e do wahabismo saudita – e acabaram com a volta de estados autoritários que não acham nenhuma graça na Casa de Saud.

O maior aliado, os Estados Unidos, resolveram fechar um acordo com o inimigo iraniano e decidiram liquidar de vez com o dito grupo Estado Islâmico. E ainda por cima, o Congresso americano acaba de passar uma resolução autorizando as vítimas do 11 de setembro a entrar na justiça contra o governo saudita.

O Egito, que recebeu rios de dinheiro dos Saud, está agora flertando com a Rússia de Putin, aliada do Irã na Síria e preocupadíssima com os salafistas radicais no Cáucaso financiados pelos sauditas. Aliás, Moscou ciceroneou um congresso religioso na qual grandes teólogos sunitas condenaram abertamente o wahabismo e o salafismo. Até os pequenos países vizinhos da Arábia Saudita estão se distanciando e as forças armadas sauditas estão cada vez mais atoladas numa guerra sem fim no Iêmen contra rebeldes apoiados pelo Irã e a Al-Qaeda.

Asfixiados pelo mundo muçulmano

Os Saud estão pouco a pouco sendo asfixiados pelo próprio mundo muçulmano, pela Rússia e pelos Ocidentais. Não há mais paciência para com o proselitismo e terrorismo inspirados pelo fundamentalismo wahabista. Mas até isso seria manejável por Riad se não fosse uma nova realidade: hoje são os produtores de petróleo de xisto americano que definem os preços mundiais.

O Sauditas continuam sendo os maiores exportadores de petróleo do mundo, mas a sua conta bancária parou de crescer. A Arábia Saudita perdeu a capacidade de chantagear o planeta. E o resto do mundo aproveita para passar a conta.


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