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Mundo

Violência e tensão diplomática ameaçam trégua na Síria

media Membros da defesa civil buscam sobreviventes em um local controlado por rebeldes bombardeado por ataques aéreos. Foto: Reuters

Violentos combates e bombardeios aéreos comprometem a trégua na Síria no momento em que os Estados Unidos e a Rússia vivem tensão no campo diplomático principalmente devido à ajuda humanitária.

O Conselho de Segurança da ONU cancelou de última hora uma importante reunião sobre a Síria na noite desta sexta-feira (16) a pedido de Moscou e Washington, dois articuladores da trégua.

O encontro com os 15 membros do Conselho de Segurança deveria examinar uma resolução para apoiar o acordo russo-americano prevendo o cessar-fogo, o envio de ajuda humanitária e uma solução política para a crise síria. Os embaixadores americano e russo deveriam apresentar a seus parceiros os detalhes do acordo, que não foram divulgados publicamente.

Moscou acusou Washington de se recusar a exibir os documentos para o Conselho de Segurança sobre o acordo para o fim das hostilidades na Síria. "Provavelmente, nós não vamos ter uma resolução do Conselho de Segurança porque os Estados Unidos não querem dividir os documentos com os membros do Conselho de Segurança", declarou o embaixador russo na ONU, Vitali Tchurkine. "Acho que não podemos pedir a eles um apoio a um documento que não viram", acrescentou.

A missão americana explicou sua atitude justificando preocupação com a segurança. "Como não chegamos a um acordo sobre a maneira de informar o Conselho que não comprometesse a segurança operacional, a reunião foi cancelada", declarou um porta-voz. A preocupação está relacionada à segurança de alguns grupos armados apoiados pelos Estados Unidos na Síria.

Frustração

A anulação frustrou a expectativa de uma aguardada decisão sobre a prorrogação da trégua na Síria. Uma semana após o anúncio conjunto de conclusão de um acordo, Moscou e Washington voltaram a mostrar divergências. "Apesar do acordo ser bilateral, apenas um dos lados o respeita de fato", afirmou na sexta-feira o general russo Igor Konachenko, porta-voz do ministério da Defesa. Ele se referia ao regime sírio, aliado de Moscou. No entanto, o general disse que a Rússia continua disposta a prorrogar a trégua por mais 72 horas.

Já os Estados Unidos dizem não cooperar militarmente com a Rússia na luta contra os jihadistas na Síria, como prevê o acordo, enquanto o regime sírio não permitir a entrada de ajuda humanitária em cidades sitiadas. O acordo prevê a entrega de ajuda aos bairros pobres sob controle dos rebeldes em Alepo, norte do país. Mas devido à falta de segurança, caminhões repletos de comida e medicamentos continuam bloqueados na "zona tampão" enter as fronteiras turca e síria.

Em uma das estradas de Alepo, moradores queimam pneus para forçar a saída do exército para a chegada de ajuda humanitária. REUTERS/Abdalrhman Ismail

O presidente americano Barack Obama reuniu na sexta-feira o Conselho de Segurança Nacional. "O presidente declarou estar profundamente preocupado que, apesar de a violência ter diminuído no país, o regime sírio continua bloqueando o acesso de uma ajuda humanitária indispensável", indicou a Casa Branca.

Trégua ameniza violência

A trégua em vigor permitiu uma redução do nível de violência, mas o quarto dia do cessar-fogo foi marcado por graves confrontos, que fizeram as primeiras vítimas civis. Segundo a ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos, três pessoas, sendo duas crianças, morreram em Khan Cheikhoun, nororeste, atingidas por ataques de aviões não-identificados.

Fontes militares indicaram "confrontos intensos" na periferia de Damasco, onde o exército sírio bloqueia a entrada de rebeldes. Sete pessoas morreram, entre elas quatro membros das forças do regime e três combatentes islâmicos.
 

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