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Mundo

Dalai Lama faz apelo para que europeus não deixem de apoiar Tibete

media Dalai Lama fala da Europa como esperança para o Tibete, ocupado pela China. REUTERS/Vincent Kessler

Apesar de ter oficialmente deixado o cargo de líder político do Tibete, o Dalai Lama fez nesta quinta-feira (15), vários apelos no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, para que a Europa não deixe de “criticar de forma construtiva” a China a respeito da questão tibetana.

O líder espiritual fez um apelo para que os eurodeputados falem do Tibete com responsáveis chineses sempre que puderem e que visitem a região, como “prova preciosa (de apoio) ao povo tibetano”. Em 1965, Pequim transformou à força o país em região autônoma. Entre 1987 e 1989, tropas comunistas reprimiram com violência as manifestações contrárias à presença chinesa no Tibete. A China é acusada de promover violações de direitos humanos, resultado de uma política de ocupação e de genocídio cultural.

Pressões foram feitas contra a visita do Dalai Lama ao parlamento

As opiniões da União Europeia podem ter um impacto sobre os dirigentes chineses, “diferente de como era nos anos 1960 e 1970, quando a China nem se importava com o que pensava o mundo exterior”, disse o chefe espiritual dos tibetanos. “Os chineses deveriam entender de uma vez por todas que o problema deve ser resolvido de maneira razoável, pois não vai desaparecer”, acrescentou.

O presidente da comissão dos Assuntos Exteriores, o cristão-democrata alemão Elmar Brok, falou de “pressões que foram feitas para cancelar o encontro” e insistiu que o “parlamento europeu tem o direito de encontrar quem ele quiser”.

“Seis milhões de tibetanos vivem no medo constante”

O Dalai Lama retomou o assunto pouco depois, diante de responsáveis e diplomatas do Conselho da Europa, organização pan-europeia baseada em Estrasburgo, que promove a democracia e os direitos humanos. “Faço um apelo para que a questão do Tibete continue na ordem do dia”, disse Tenzin Gyatso, de 81 anos, evocando os “seis milhões de tibetanos” que “vivem no medo constante”.

“Estamos felizes em ser parte da China, à condição que ela respeite nossa cultura, nossa língua, nossas tradições”, ele acrescentou. O Dalai Lama falou sobre a necessidade de promover uma “educação laica baseada em valores interiores e morais”, para desenvolver uma “cultura da compaixão”, e assim colocar um fim às violações dos direitos humanos “motivados pelo ódio e medo”.

Medo de Pequim faz governo francês esnobar Dalai Lama

“Uma educação moral fundada sobre a religião, por definição, não poderá ser aplicada a toda humanidade”, insistiu o tibetano, que pretende estimular “um sentimento de unidade para os sete bilhões de seres humanos”.

O Dalai Lama está na França para uma visita de uma semana, após cinco anos de ausência no país. O Prêmio Nobel da Paz não vai ser recebido por nenhuma autoridade francesa do primeiro escalão, por medo de represálias chinesas. Segundo Jean-Marc Ayrault, ministro das Relações Exteriores, trata-se de uma “viagem pastoral, com dimensões religiosas, e por isso não haverá encontros com autoridades francesas”.
 

(Com informações da AFP)

 

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