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Herança de Mao incomoda governo chinês 40 anos após sua morte

Herança de Mao incomoda governo chinês 40 anos após sua morte
 
Em 9 em setembro de 1976 morreu Mao Tsé-tung REUTERS/Thomas Peter

Nesta sexta-feira (9) faz 40 anos da morte do líder chinês Mao Tsé-Tung, mas a herança deixada por ele tem se tornado cada vez mais desconfortável para o governo da China.

Luiza Duarte, correspondente da RFI na China

A agência estatal, controlada pelo Partido Comunista (PCC), fez pouca festa para um dos membros históricos do partido e fundador da República Popular da China em 1949.

Porém a figura de Mao é onipresente. Estátuas, pôsteres, notas de yuan (moeda chinesa) e ainda um retrato gigante no coração da capital Pequim, onde seu corpo está embalsamado, prestam homenagem ao líder.

No entanto, seu legado incomoda cada vez mais o governo, e sua imagem é destoante para os jovens que crescem na abertura econômica.

Ele ainda é venerado em muitas partes do país, como herói revolucionário e criador da República Popular da China. Memoriais acontecem nesta sexta-feira em todo o país, mas liderados pelos setores mais à esquerda do PCC.

Na cidade-natal de Mao, Shaoshan, na província de Hunan, a indústria de estátuas perde força, mas imagens da mídia estatal transmitem uma homenagem ao mais famoso filho da cidade.

Controvérsia em torno de Mao

Atualmente uma grande parcela da sociedade chinesa está ciente da responsabilidade de Mao em momentos trágicos da história recente.

Nos anos 1950, uma campanha econômica forçou a industrialização e comprometeu violentamente a agricultura do país dando origem à “Grande Fome”, um marcante episódio da história que teria provocado a morte de 45 milhões de pessoas.

Na última década antes de sua morte, Mao foi responsável por lançar a Revolução Cultural (1966-1976). A perseguição a contrarrevolucionários fez outros 2 milhões de mortos no país durante o período e gerou um trauma profundo na sociedade chinesa.

Posição do governo chinês

Mao foi responsável por levar o Partido Comunista ao poder. É difícil atacar a reputação de Mao sem atingir as bases do PCC e de muitas famílias, que seguem controlando a China.

As críticas a Mao são evitadas, mas ao mesmo tempo, não há grandes celebrações em torno de sua figura. Mesmo a mídia estatal chinesa não deu destaque para a data. Especialistas falam em uma “amnésia” entre os grandes nomes do partido, que simplesmente preferem evitar o tema.

Uma análise profunda da história, que exponha o legado de Mao e o responsabilize, poderia ter reflexos duros para atuais líderes do PCC.

Mesmo sem querer arranhar a imagem desse que ainda é tido como uma venerada figura histórica na China, o partido já admitiu que Mao cometeu “grandes erros” e que durante o período em que governou houve “grave desordem, dano e retrocesso” na China.


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