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Encontro em Tóquio reaproxima Japão, China e Coreia do Sul

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Encontro em Tóquio reaproxima Japão, China e Coreia do Sul
 
Os ministros das Relações Exteriores do Japão, Fumio Kishida (esq), da China, Wang Yi (centro), e da Coreia do Sul, Yun Byung-Se (dir), tiveram um encontro trilateral em Tóquio, na terça-feira (23). REUTERS/Katsumi Kasahara

Os ministros das Relações Exteriores do Japão, da China e da Coreia do Sul se reuniram em Tóquio para discutir a cooperação trilateral. Na agenda da reunião, que começou com um jantar na terça-feira (23), estavam assuntos globais e regionais, mas o foco da conversa se centrou nos problemas entre China e Coreia do Sul, por causa da polêmica construção de um sistema antimísseis, em conjunto com os Estados Unidos, e entre China e Japão, por causa das disputas territoriais no Mar da China Oriental.

Ewerthon Tobace, correspondente da RFI em Tóquio

A conversa entre os ministros da Relações Exteriores do Japão, China e Coreia do Sul foi bastante diplomática. O clima de tensão entre os três países ficou apenas nos temas discutidos. O ministro japonês, Fumio Kishida, e seus colegas sul-coreano Yun Byung-se, e chinês Wang Yi centraram as discussões na cooperação econômica e em coordenar a resposta frente ao crescente perigo provocado pelos últimos desenvolvimentos de armamentos da Coreia do Norte.

Além disto, esta foi a primeira reunião trilateral depois de um hiato de quatro anos. Estas reuniões trilaterais se realizam de forma anual e com sede rotatória entre os países vizinhos, e foram suspensas entre 2012 e 2015, devido ao agravamento das relações na região. Dá para afirmar que houve um clima de alívio por causa da retomada destes encontros.

Primeira visita de um chanceler chinês ao Japão desde 2013

Esta foi a primeira visita de um ministro chinês das Relações Exteriores desde que o presidente Xi Jinping assumiu o poder, em 2013. É preciso lembrar que as relações entre Japão e China andam bastante abaladas por causa das frequentes aproximações de navios chineses às águas japonesas em torno das Ilhas Senkaku, chamadas pelos chineses de Diaoyu, um arquipélago inabitado que virou motivo de briga entre os dois países.

O jornal Tokyo Shimbun publicou uma matéria, citando fontes diplomáticas anônimas, afirmando que o resgate de pescadores chineses feito pela Guarda Costeira do Japão, no começo de agosto, encorajou a China a enviar ministro das Relações Exteriores para a reunião. A guarda costeira retirou tripulantes chineses do oceano, depois que o barco de pesca colidiu com um cargueiro e afundou perto das ilhas Senkaku.

Nesta reunião, o ministro japonês pediu para o colega chinês que seja respeitada a legislação internacional nas disputas marítimas que o gigante asiático mantém também com outros países vizinhos. A China, por sua vez, expôs seu ponto de vista sobre os limites marítimos e jogou para o Japão a responsabilidade de se criar laços saudáveis e estáveis com o país.

Reaproximação entre China e Japão ?

Este encontro entre os ministros pode servir como um trampolim para uma reunião entre o primeiro-ministro Shinzo Abe e o presidente chinês, Xi Jinping, na próxima cúpula do G20, que será realizada na China, entre os dias 4 e 5 de setembro. Abe e Xi tiveram apenas dois encontros desde que ambos tomaram o poder em 2012.

Disputa entre Coreia do Sul e Japão

O Japão também mantém uma disputa com Coreia do Sul pela soberania das Ilhas Dokdo, controladas administrativamente por Seul, mas consideradas por Tóquio como um território "historicamente" japonês. No entanto, as conversas com o vizinho estão bem mais adiantadas.

O ministro japonês transmitiu ao colega sul-coreano o desejo de Tóquio de consertar os laços de amizade entre os dois países na sequência de um acordo feito em dezembro do ano passado. O Japão admitiu um crime de guerra e se comprometeu a pagar indenizações às mulheres forçadas a trabalhar em bordéis para os militares do exército imperial japonês, antes e durante a Segunda Guerra Mundial.

A Coreia do Sul inaugurou uma fundação no mês passado para apoiar os sobreviventes da guerra e o Japão ficou responsável por bancar financeiramente o projeto.

Ameaça nuclear da Coreia do Norte

O vizinho norte-coreano é um problema na região por causa do possível desenvolvimento de uma arma nuclear e também pelos constantes lançamentos de mísseis. Japão e Coreia do Sul condenam as ações de Pyongyang, mas sentem-se frustrados com a falta de pressão sobre o país pela China, aliado de longa data e salvação econômica da Coreia do Norte.

Além disto, tem a polêmica da construção de um sistema antimíssil na Coreia do Sul, em conjunto com os Estados Unidos. A China diz que este escudo vai contra os interesses de segurança nacional e já avisou que isso vai aumentar a tensão regional.

Seul chegou a repensar no projeto, pois não queria criar um problema com seu principal parceiro comercial, mas resolveu dar continuidade à construção por causa do medo do contínuo desenvolvimento de mísseis pela Coreia do Norte.


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