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Mundo

Turcos vão às ruas para protestar contra tentativa de golpe

media Turcos vão às ruas em defesa da democracia BULENT KILIC / AFP

Oito dias após a tentativa frustrada de golpe de Estado na Turquia, uma concentração pró-democracia foi organizada neste domingo (24), na praça Taksim, no centro de Istambul. Pela primeira vez, uma parte da oposição e de partidários do AKP, no poder, manifestaram juntos.

 

O enviado especial da RFI à Turquia, Daniel Vallot, relata que uma multidão enorme se reuniu na praça Taksim, que vem sendo ocupada todas as noites por simpatizantes do presidente islamita-conservador Recep Tayyip Erdogan desde o golpe frustrado da semana passada. Mas pela primeira vez, a Turquia laica resolveu se mobilizar também.

A manifestação acontece no mesmo dia em que o grupo de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional (AI) afirmou que há provas concretas de abusos e de uso de tortura na Turquia contra pessoas detidas depois da tentativa de golpe.

"Nem golpe de Estado, nem ditadura", gritam manifestantes

A concentração dos manifestantes aconteceu sob fortes medidas de segurança. A mobilização convocada pelo principal partido de oposição, o Partido Republicano do Povo (CPH, laico e de centro-esquerda).
Além de um mar de bandeiras turcas, era possível ver inúmeros retratos de Mustafa Kemal Atatürk, pai da república e símbolo do CHP.

"Nem golpe de Estado, nem ditadura!": gritaram milhares de turcos que invadiram a praça Taksim, em Istambul, em rechaço aos golpistas de 15 de julho e também para manifestar preocupação ante a forte repressão por parte do governo.

Muitos opositores ao governo, além de rejeitar os golpistas, estão preocupados pela instauração do estado de emergência. "A Turquia é laica e continuará sendo" foi a frase de ordem de muitos. O primeiro-ministro Binali Yildirim tuitou que "o país está unido para dar uma lição necessária aos golpistas". O número de supostos conspiradores supera os 13.000, entre soldados, policiais, funcionários da justiça e civis, todos afetados por um expurgo que alarma os líderes europeus.

Anistia Internacional alerta para torturas com espancamentos e estupros

A Anistia Internacional alertou que algumas das pessoas estão sofrendo "espancamentos e torturas, incluindo estupros, em centro oficiais e não oficiais em todo o país".

"Anistia Internacional dispõe de informações concretas segundo as quais a polícia turca em Ancara e Istambul mantêm detidos em posições dolorosas durante períodos que podem chegar a 48 horas", afirma a ONG em um comunicado em que menciona também privação de água, alimentos e medicamentos, injúrias, ameaças e, em casos mais graves, "espancamentos, torturas e estupros".

"As informações sobre espancamentos e estupros sob detenção são extremamente alarmantes", declarou o diretor para a Europa da Anistia, John Dalhuisen, citado em um comunicado. Segundo a ONG, alguns detentos também não têm acesso a advogados ou contato com a família.

A Anistia pede que o Comitê Europeu para a Prevenção da Tortura (CPT) envie com urgência representantes à Turquia para observar as condições de detenção no país. As afirmações da Anistia foram rejeitadas categoricamente por uma fonte turca. "A ideia segundo a Turquia, um país que busca aderir à União Europeia (UE), não respeita a lei é absurda", afirmou, sem querer ser identificado.

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