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Após tentativa de golpe, Turquia debate pena de morte e presidencialismo

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Após tentativa de golpe, Turquia debate pena de morte e presidencialismo
 
Turquia: detenções e julgamentos na limpeza de Erdogan. REUTERS/Osman Orsal TPX IMAGES OF THE DAY

A tentativa de golpe militar na Turquia, no último fim de semana, levanta os debates sobre a volta da pena de morte no país e a mudança do sistema parlamentarista para o presidencialista. Três dias após o governo reassumir o controle total do Estado, sobram rumores e faltam explicações reais de como tudo aconteceu.

Fernanda Castelhani, correspondente da RFI Brasil em Istambul

O episódio deixou 265 mortos, 1,5 mil feridos e mais de 8 mil oficiais afastados. O presidente turco, Tayyip Erdogan, declarou mais de uma vez, nos últimos dias, que não descarta a pena de morte para os responsáveis pela tentativa de golpe. A pena de morte foi banida da Turquia em 2004, mas não é aplicada desde 1984. O presidente faz ecoar o que ele mesmo ouviu no domingo (17) da multidão que o acompanhava durante cerimônia em memória às vítimas numa mesquita de Fatih, bairro conservador aqui de Istambul.

Na ocasião, ele respondeu que o pedido do povo não pode ser desconsiderado, mas deve ser analisado por legisladores. Na segunda-feira, em entrevista à rede de televisão CNN, foi ainda mais enfático. Erdogan chamou os militares golpistas de terroristas e questionou o porquê de alimentá-los nas prisões.

A União Europeia já deixou claro que nenhum país que adota essa punição é aceito pelo bloco. Se existe algum vitorioso nesse triste episódio é o próprio presidente turco. Eleitores da oposição e páginas contrárias ao atual governo nas redes sociais têm chamado o golpe de um grande teatro. Mas, diante do risco operacional, da morte de tantas pessoas, inclusive do próprio assessor e chefe de campanha do presidente, alguns analistas, mesmo críticos a ele, consideram difícil supor isso.

Estados Unidos

Oficialmente, as autoridades turcas logo se adiantaram para apontar os Estados Unidos como responsáveis pela tentativa de golpe. As acusações vieram do Ministério do Trabalho, de parlamentares do partido governista, que sugeriram que soldados americanos até participaram ativamente nas ruas, assim como do presidente, que atribuiu tudo a um antigo aliado, hoje exilado na Pensilvânia: Fetullah Gülen, de quem agora Erdogan pede extradição. Nesta terça-feira (19), o governo turco disse que teria enviado aos americanos informações de que Gülen planejava um golpe.

Mas as informações mais concretas vazam, na verdade, dos bastidores das próprias Forças Armadas. Ao que tudo indica, homens do alto escalão quiseram agir antes do Supremo Conselho Militar, um evento anual marcado para o final de julho. Nesse encontro, são anunciados os nomes de quem será aposentado e de quem será promovido.

Depois de saberem que haveria uma limpeza de integrantes contrários ao atual governo, alguns generais prepararam a tacada final. Na noite de sexta-feira, foram ao escritório do chefe do Estado Maior do Exército, o General Hulusi Akar, em Ancara, exigindo que assinasse uma declaração de golpe – o que obrigaria todas as tropas do país a considerar isso uma ordem a ser executada no início da manhã seguinte.

Mas ele não aceitou e acabou sequestrado, assim como foram o comandante da Força Aérea e da Aeronáutica, o que contribuiu para que a situação fugisse do planejado e a tentativa se limitasse a um grupo minoritário de militares.

Fim do sistema parlamentarista

Nas ruas das grandes cidades turcas, vida normal desde domingo. No sábado, era possível notar em Istambul que as pessoas decidiram ficar mais em casa justamente por temer confrontos. Até porque, assim como o presidente convocou o povo a ir às ruas, foram enviadas mensagens de texto via celular assinadas por “República da Turquia” para que a população saísse em prol da democracia.

Mas, já no dia seguinte, shopping centers lotados, trânsito intenso, comércio aberto, famílias nos parques. Justamente para incentivar manifestações, ou como política populista, segundo os opositores, o transporte público da maior cidade do país está de graça desde o fim de semana.

Também ainda é possível ouvir “buzinaços” ocasionalmente em algumas avenidas. O policiamento continua reforçado, como tem sido desde os recentes atentados, e, apesar do agito comum a uma grande metrópole, é inegável o temor da população sobre o que está por vir. É claro que Erdogan agora tem caminho ainda mais livre para fazer o que deseja.

Tudo indica que não demorará muito para colocar em prática, por exemplo, o projeto de mudar a Constituição e passar o sistema político de parlamentarista para presidencialista. A grande apreensão é de que ele use essa perseguição aos golpistas como pretexto para uma caça às bruxas contra toda e qualquer atitude que considere contrária ao seu projeto de poder.


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