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Mundo

Morre escritor Elie Wiesel, Nobel da Paz e sobrevivente do Holocausto

media Elie Wiesel REUTERS/Jason Reed

Elie Wiesel, renomado escritor sobrevivente do Holocausto e ganhador do Nobel da Paz, morreu no sábado (2) aos 87 anos.

"O Estado de Israel e o povo judeu estão de luto pela morte de Elie Wiesel", declarou o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, em um comunicado.

"Na escuridão do Holocausto, no qual seis milhões dos nossos irmãos e irmãs faleceram, Wiesel foi um farol luminoso e um exemplo de humanidade que acreditava no bem dos homens", afirmou o primeiro-ministro.

O presidente de Israel, Reuven Rivlin, o qualificou como "um herói para o povo judeu e um gigante para toda a humanidade".

"Elie não era apenas o mais célebre sobrevivente da Shoá. Ele era a memória viva", manifestou o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

Deportado a Auschwitz aos 15 anos

Nascido em 30 de setembro de 1928 em Sighetu, na Romênia atual, Transilvânia na época, Wiesel foi deportado para o campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, na Polônia, quando tinha 15 anos.

No local perdeu sua mãe e sua irmã. Seu pai morreu diante de seus olhos no campo de Buchenwald, para o qual foram transferidos.

Após sair do campo de concentração, foi acolhido em 1945 na França por uma organização beneficente e conseguiu reencontrar duas irmãs sobreviventes.

Após cursar filosofia na Universidade Sorbonne, dedicou-se às letras, tornando-se jornalista e escritor.

Sua obra mais conhecida são suas memórias, publicadas com o título "A Noite", nas quais conta sua experiência nos campos de concentração nazistas.

O livro, originalmente escrito em iídiche, tinha como título nas primeiras edições "E o Mundo Calava".

Em 1986, ele ganhou o prêmio Nobel da Paz por ter dedicado sua vida a dar testemunho do genocídio cometido pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial.

"Um mensageiro da humanidade"

Durante toda a sua vida, Wiesel trabalhou para cumprir a promessa que fez ao fim da guerra de ajudar os perseguidos em qualquer parte do mundo. Esse compromisso o fez colocar-se a serviço de causas diversas, do genocídio armênio aos crimes em Darfur.

Em sua luta contra o esquecimento e para facilitar a compreensão entre os povos, Wiesel criou, junto com a mulher, a fundação que leva seu nome e a Academia Universal das Culturas.

"Sempre, onde houver um ser humano perseguido, eu não vou permanecer em silêncio", prometeu Wiesel, a quem o comitê que concede o Nobel qualificou de "mensageiro da humanidade".

Naturalizado americano em 1963, Wiesel voltou a Auschwitz em 2006, ao lado da apresentadora de TV Oprah Winfrey. Também visitou o campo de Buchenwald com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e a chanceler alemã, Angela Merkel.

Por seu trabalho à frente do Comitê pela Memória do Holocausto, recebeu a medalha de ouro do Congresso americano. Na França foi reconhecido com a Grã-Cruz da Legião de Honra.

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