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Mundo

Depois de atentado, Israel proíbe entrada de palestinos para o Ramadã

media Posto de controle de Qalandia, entre Jerusalém e Ramallah, na Cisjordânia. AHMAD GHARABLI / AFP

Israel anunciou nesta quinta-feira (9) que irá proibir a entrada dos 83 mil palestinos vivendo na Cisjordânia, que têm uma autorização especial para entrar em Jerusalém durante o Ramadã. A medida é uma represália ao atentado que deixou quatro mortos em Tel-Aviv nesta quarta-feira (8), cometido por dois palestinos.

O anúncio da proibição foi feito pelo COGAT, o órgão encarregado de coordenar as atividades israelenses nos territórios palestinos. Durante o Ramadã, muitos palestinos visitam a Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém, controlada pelos israelenses. Na noite desta quarta-feira, por volta das 21h, dois homens de terno entraram no restaurante Max Brenner, situado em um bairro movimentado de Tel Aviv. Depois de se sentarem e pedirem um prato, os dois se levantaram e começaram a atirar a esmo no estabelecimento.

O ataque deixou quatro mortos e cinco feridos, sendo que uma das vítimas foi morta com um tiro à queima-roupa. Este é o ataque mais violento contra os israelenses desde 2015, e está sendo considerado como uma “prova de fogo” para o novo ministro da Defesa de Israel, Avigdor Lieberman.

Os dois autores do atentado foram identificados como Khaled Mohammad Makhamrah, 22 anos, estudante de engenharia eletrônica, segundo seu pai, e Mohamad Ahmad Makhamrah, 21 anos, operário em Yatta, na Cisjordânia ocupada. Os dois fugiram depois dos tiros, mas acabaram sendo capturados. Um deles ficou gravemente ferido.

Na noite desta quarta-feira, o exército israelense entrou em Yatta e vasculhou as casas dos palestinos. O acesso à cidade foi bloqueado e apenas comboios humanitários têm a permissão para entrar na região. A ONU, os Estados Unidos, a União Europeia e a França condenaram o ataque, mas para o Hamas trata-se de uma operação “heroica”, segundo seu porta-voz, Sami Abou Zouhri.

Onda de violência já deixou centenas de mortos

Desde outubro do ano passado, Israel, Jerusalém e os territórios ocupados são palco de uma onda de violência que já deixou 207 palestinos e 32 israelenses mortos. A maior parte das vítimas palestinas são autores ou suspeitos de ataques, por indivíduos que agem isoladamente ou em dupla, sem o apoio de uma organização.

A violência, segundo especialistas, resulta da falta de perspectiva em relação a uma solução para o conflito entre Israel e a Palestina e sua independência, dos constrangimentos vividos pelos palestinos em territórios ocupados e das dificuldades econômicas e do descontentamento em relação às autoridades palestinas.

As autoridades israelenses denunciam as incitações generalizadas à violência e a negação da existência do estado de Israel.
 

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