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Mundo

Talibãs nomeiam novo chefe no Afeganistão

media Haibatullah Akhundzada foi nomeado novo chefe dos talibãs. AFP

Quatro dias após a morte do mulá Mansur, os talibãs anunciaram nesta quarta-feira (25) o nome do novo chefe supremo do grupo. O mulá Haibatullah ficará no lugar do líder, abatido durante uma ofensiva norte-americana no território paquistanês.

Michel Picard, correspondente da RFI em Islamabad

Designado por unanimidade por um conselho central dos talibãs no domingo (22), Haibatullah Akhundzada era até então o adjunto do mulá Mansur. O novo líder do grupo, que tem cerca de 50 anos, já chefiava os tribunais da formação desde que os talibãs perderam o controle de Cabul, em 2001. Como seus antecessores, ele é originário da região de Kandahar, no sul do Afeganistão.

Mesmo tendo uma certa influência no grupo, pois ditou várias regras que justificaram operações terroristas dos rebeldes, a eleição de Haibatullah tinha representa uma surpresa, já que ele não estava entre os favoritos para o cargo. Segundo especialistas, o novo mulá tem o perfil de um erudito religioso.

Ele terá dois auxiliares, o mulá Yacub, filho do mulá Omar, fundador dos talibãs, e Sirajuddin Haqqani, chefe da rede insurgente de mesmo nome, um grande aliado dos talibãs.

O Paquistão, que acolhe os chefes dos talibãs, não reagiu à escolha de Haibatullah. Mansur, seu antecessor, tinha um passaporte paquistanês, graças ao qual ele pôde viajar durante anos.

Negociações de paz bloqueadas

Desde janeiro, Afeganistão, China, EUA e Paquistão organizam reuniões destinadas a incentivar, em vão, o grupo talibã a se sentar à mesa de negociações. Na última quarta-feira (18), o Paquistão sediou uma nova rodada de conversas internacionais, que terminou sem avanço.

Jean-Luc Racine, especialista do Centro Francês de Pesquisas Científicas (CNRS na sigla em francês), afirma que o novo mulá poderá ter dificuldades para coordenar todo o movimento talibã, marcado por divisões internas. No entanto, ele teme que a mudança na direção do grupo possa ter consequências graves, e se pergunta por que razão os Estados Unidos decidiram eliminar Mansur. “Ninguém acredita que os talibãs perderiam força após a morte do chefe. O risco de radicalização agora tende a crescer e não diminuir”, analisa.
 

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