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Mundo

Sem véu no Instagram: Irã prende 8 pessoas ligadas à moda

media Mulheres iranianas são obrigadas a usar o véu desde a Revolução Islâmica de 1979. Flickr/Taufiq Aizuddin

Oito pessoas ligadas ao mundo da moda e acusadas de espalharem a "cultura anti-islâmica", através da publicação de fotos de mulheres sem véu no Instagram, foram presas nesta segunda-feira (16) no Irã, de acordo com o tribunal para a cibercriminalidade, que julga crimes na internet no país. O Irã obriga as mulheres a usarem o véu desde a Revolução Islâmica de 1979.

"Descobrimos que 20% da rede Instagram do Irã era controlada pelos círculos da moda", declarou domingo à noite Javad Babaie, juiz do tribunal para a cibercriminalidade, à rede estatal de televisão.

Operação Corão quer “esterilizar o ciberespeaço”

Há dois anos, uma operação da justiça intitulada "Spider II" identificou um total de 170 pessoas do circuito da moda que administravam páginas consideradas ofensivas à lei corânica no Instagram, incluindo 59 fotógrafos e maquiadores, 58 modelos, 51 gerentes de casas de moda, segundo a declaração oficial do Irã.

Javad Babaie acrescentou que 60% dos usuários iranianos do Instagram seguiam as páginas consideradas criminosas. O Instagram é muito popular no Irã, uma vez que redes sociais como o Facebook e o Twitter são proibidos. É dever da justiça "agir contra aqueles que cometem esses crimes de forma organizada", ressaltou Babaie. Além das oito prisões, outros procedimentos e avisos foram emitidos contra 21 novas pessoas.

Eem entrevista à BBC, Mostafa Alizadeh, porta-voz do Centro para a Vigilância e Combate do Cibercrime Organizado, disse : "Esterilizar o ciberespaço popular é o nosso objetivo. Fizemos isso em 2013 com o Facebook, e agora faremos com o Instagram".

Arrependimento “voluntário”

No domingo (15), a televisão estatal iraniana transmitiu ao vivo um programa em que a modelo Elham Arab explicava "voluntariamente" ao procurador de Teerã que se arrependia de suas ações, incluindo a publicação de suas fotos sem véu nas redes sociais, e aconselhava os iranianos a não cometer o mesmo "erro".

Ela afirmou ainda que ganhava o equivalente a até US$ 3,3 mil por mês, enquanto o salário mínimo no Irã corresponde a um pouco acima de US$ 200 mensais.

Em março desse ano, o porta-voz do Judiciário do Irã havia anunciado a prisão de "oito modelos, algumas liberadas sob fiança". "Algumas delas receberam acusações pesadas, como disseminação da prostituição e corrupção", segundo o órgão estatal.

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