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Mundo

Com promessa de matar criminosos, Duterte é eleito presidente das Filipinas

media Rodrigo Duterte é o novo presidente das Filipinas. REUTERS/Erik De Castro

O populista Rodrigo Duterte, que fez uma campanha repleta de provocações, com a promessa de exterminar milhares de criminosos, venceu as eleições para a presidência das Filipinas. Os resultados foram anunciados nesta terça-feira (10).

Rodrigo Duterte obteve a irreversível vantagem de 6,1 milhões de votos sobre seu adversário mais próximo, Mar Roxas, após a apuração de mais de 88% das urnas, informou o organismo de fiscalização oficial, PPCRV. Após o anúncio dos resultados, Duterte declarou que aceita "o mandato do povo com muita humildade".

Duterte, 71 anos, obteve 38,6% dos votos, contra 23,32% para Roxas. A senadora Grace Poe aparece na terceira posição, com 21,6% dos votos.

Mar Roxas era o candidato do atual presidente, Benigno Aquino. Ele admitiu a derrota: "É evidente que o prefeito Duterte será o próximo presidente", declarou Roxas. Já Poe felicitou o novo presidente: "É claramente o candidato que lidera os resultados e que foi eleito por uma multidão".

O sistema eleitoral filipino não prevê segundo turno. Portanto, o vencedor da votação, mesmo sem maioria absoluta, garante a presidência do arquipélago do Pacífico ocidental, de 102 milhões de habitantes.

Uma nova era autoritária?

Três décadas depois da revolução que expulsou do poder o ditador Ferdinand Marcos, os críticos de Rodrigo Duterte advertiram para o risco de que sua eleição resulte em um novo período conturbado para as Filipinas.

"Preciso da ajuda de vocês para deter o retorno do terror ao nosso país. Não posso fazer isto sozinho", disse no sábado (7) o presidente Benigno Aquino, cuja mãe, Corazón Aquino, liderou o movimento democrático que derrubou Marcos e depois presidiu a nação durante seis anos.

Mas os filipinos, que não viram o crescimento econômico do país resultar em um avanço de seu nível de vida, parecem ter ignorado as advertências e preferiram ouvir o discurso de Duterte contra a elite.

O novo presidente afirma que para acabar com a pobreza é necessário erradicar o crime. Para isto, prometeu que deixará de lado uma justiça ineficaz e corrupta, ao mesmo tempo que ordenará às forças de segurança a eliminação dos criminosos. "Esqueçam as leis sobre os direitos humanos. Se for eleito presidente, farei exatamente o que fiz como prefeito. Seria melhor que traficantes, assaltantes e canalhas fossem embora, porque vou matar todos vocês", advertiu em seu último comício.

Campanha marcada pela violência

Os filipinos votaram no último domingo (8) em eleições locais e nacionais, com mais de 18 mil cargos em disputa, após uma campanha marcada pela violência. A polícia confirmou a morte de 15 pessoas em ataques relacionados à campanha eleitoral.

Apesar da média de crescimento anual de 6% nos últimos anos, mais de 25% dos filipinos sobrevivem com renda abaixo da linha da pobreza, o mesmo índice registrado há seis anos. Há 30 anos o país é governado, tanto a nível local como nacional, por clãs familiares apoiados por importantes empresários, um sistema que aumentou ainda mais a distância entre ricos e pobres.

(Com informações da AFP)

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