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Mundo

América Latina retrocede em ranking da liberdade de imprensa

media Mapa da liberdade de imprensa 2016, com as cores escuras representando os lugares mais perigosos. Reprodução RSF

A liberdade de imprensa se deteriorou em todas as regiões do mundo em 2015, em particular no continente americano, que pela primeira vez figura atrás da África na classificação anual da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF).

Na lista publicada nesta quarta-feira (20), que analisa 180 países com base em indicadores como pluralismo, independência dos meios, autocensura, marco legal, transparência, infraestruturas e agressões, a RSF afirma que a América Latina retrocedeu claramente com os assassinatos e ataques a jornalistas, especialmente no México e na América Central.

Na América Latina, "a violência institucional (na Venezuela, 139ª, ou no Equador, 109º), o crime organizado (em Honduras, 137º), a impunidade (na Colômbia, 134ª), a corrupção (no Brasil, 104º) e a concentração dos meios de comunicação (na Argentina, 54º) constituem os principais obstáculos para a liberdade de imprensa", destaca a RSF.

Na América do Norte, os Estados Unidos (41º) sofrem com o efeito da vigilância cibernética, e o Canadá (18º) retrocedeu "ao final do mandato do ex-premiê Stephen Harper". O México ocupa a 149ª posição da lista.

Norte da África ainda perigoso

O continente americano está agora atrás da África, apesar de a zona África do Norte/Oriente Médio permanecer a região do mundo onde os jornalistas estão submetidos às maiores pressões, de todo o tipo, de acordo com a ONG.

"Todos os indicadores da classificação se deterioraram. Numerosas autoridades públicas estão tratando de recuperar o controle de seus países e temem que o debate público se abra demasiadamente", disse à AFP Christophe Deloire, secretário-geral da RSF.

Em alguns países em conflito, como Iraque (158º), Líbia (164º) e Iêmen (170º), "exercer o jornalismo é um ato de bravura", destaca a ONG. A RSF saúda o progresso da situação na Tunísia (96º), que avança 30 posições com "uma consolidação dos efeitos positivos da revolução" de 2010-2011, segundo Deloire.

No final da lista aparecem Síria (177ª), China (176ª), Turcomenistão (178º), Coreia do Norte (179ª) e Eritreia (180ª). No topo, a Finlândia conserva a primeira posição, pelo sexto ano consecutivo, seguida por Holanda e Noruega. A Costa Rica é o melhor país posicionado da América Latina, no sexto lugar, seguido por Uruguai, 20º.

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