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Mundo

Cinco anos após revolução, Ocidente cogita intervenção na Líbia

media A cidade de Sirte se tornou um dos bastiões do grupo Estado Islâmico na Líbia. John Cantlie/Getty Images

Os líbios lembram nesta semana o aniversário das primeiras manifestações, em Benghazi, contra o ex-presidente Muammar Kadafi, que resultaram na queda do regime. Mas cinco anos após a revolução, o país, que vive entre dois governos rivais, controlados por milícias em guerra, sofre com a ação do grupo Estado Islâmico (EI). Diante da presença dos extremistas, a hipótese de uma nova intervenção ocidental no país é cada vez mais cogitada.

David Thomson

A expansão do EI na Líbia teve início em 2014, quando os jihadistas líbios do grupo, que agiam na Síria, voltaram para seu país de origem. Baseados no leste da Líbia, esses rebeldes experientes fundaram, em Derna, o primeiro regimento sob as ordens de Abu Bakr al-Bagdadi. O grupo se tornou, em novembro do mesmo ano, a filial oficial do grupo iraquiano.

Expulsos em 2015 da região por jihadistas pró-Al Qaeda, os membros da EI migraram em seguida para Sirte. Na cidade e em seus arredores, o grupo conseguiu impor a versão mais rígida da charia, com execuções, amputações e até mesmo crucificações daqueles que não respeitavam a lei islâmica.

Por ser uma região portuária, a tomada de Sirte é vista como uma ameaça direta para a Europa, o que preocupa as autoridades do Velho Continente. “A organização está a 350km das costas italianas e já mostrou imagens de cerca de 20 cristãos sendo decapitados, enquanto diziam ‘estamos chegando a Roma’”, alertou o general Dominique Trinquand, ex-chefe da missão militar francesa junto às Nações Unidas. “Vencer o EI não é apenas combater o grupo na Síria ou no Iraque, mas também impedi-los de se instalar na Líbia”, analisa.

Governo de união nacional é apontado como solução

Vários países já se mostraram dispostos a atacar a Líbia: se a França ainda hesita, a Itália declarou ser favorável a uma intervenção militar no país. Os Estados Unidos já efetuaram algumas operações e, no final de fevereiro deste ano, a Otan afirmava estar “pronta para dar seu apoio”. Mas para que uma intervenção ocidental seja válida, ainda é preciso que uma autoridade líbia legítima a solicite.

Por essa razão, as Nações Unidas vinha negociando para que um governo de união nacional fosse instaurado no país. O Conselho Presidencial líbio, apoiado pela ONU, anunciou no domingo (14) a formação desse governo, cuja composição foi apresentada ao Parlamento líbio reconhecido pela comunidade internacional.

No entanto, o EI continua avançando na região. Desde janeiro, o grupo tenta controlar as fontes do petróleo do país. Jean-Pierre Favenec, professor no Instituto de Estudos Políticos de Paris (Sciences Po), explica que mesmo se as tentativas fracassaram até agora, os jihadistas poderiam se apoderar de jazidas e extrair petróleo da Líbia, como já fizeram na Síria e no Iraque. “Há sempre uma maneira de explorar, de forma simples, os campos petrolíferos e construir instalações rudimentares de refinamento, que permitirão, por exemplo, a produção de diesel, fácil de se obter por meio da destilação”, comenta o especialista em energia. Segundo ele, “os jihadistas poderiam exportar ilegalmente o petróleo para os países vizinhos, com preço bem abaixo do mercado”.

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