Ouvir Baixar Podcast
  • 15h27 - 15h30 GMT
    Flash de notícias 18/04 15h27 GMT
  • 15h06 - 15h27 GMT
    Programa 18/04 15h06 GMT
  • 15h00 - 15h06 GMT
    Jornal 18/04 15h00 GMT
  • 09h57 - 10h00 GMT
    Flash de notícias 18/04 09h57 GMT
  • 09h36 - 09h57 GMT
    Programa 18/04 09h36 GMT
  • 09h30 - 09h36 GMT
    Jornal 18/04 09h30 GMT
  • 15h27 - 15h30 GMT
    Flash de notícias 17/04 15h27 GMT
  • 15h06 - 15h27 GMT
    Programa 17/04 15h06 GMT
Para poder acessar todos os conteúdos multimídia, você deve instalar o plugin Flash no seu navegador. Para se conectar, você deve ativar os cookies nas configurações do navegador. O site da RFI é compatível com os seguintes navegadores: Internet Explorer 8 e +, Firefox 10 e +, Safari 3 e +, Chrome 17 e +.

Só ação militar terrestre pode derrotar grupo Estado Islâmico

Só ação militar terrestre pode derrotar grupo Estado Islâmico
 
Uma intervenção terrestre na Síria se faz cada vez mais necessária. REUTERS/Osman Orsal

Muito já foi dito e escrito sobre os perigos e inconvenientes das intervenções militares por motivos humanitários. Hoje, já se discute seriamente agregar ao conceito internacional da “responsabilidade DE proteger” a ideia de “responsabilidade AO proteger”. As intervenções no Iraque e na Líbia foram tão catastróficas que Washington e boa parte das potências europeias não querem mais saber de mandar tropas para tentar resolver dramas humanos no exterior. Mas o caso da Síria é também um exemplo dos perigos da não-intervenção.
 

É clássica a distinção entre “ética de convicção” e “ética de responsabilidade”. As ONGs humanitárias, as pessoas e instituições com um mínimo sentido de humanidade, não podem ficar de braços cruzados frente aos massacres, torturas, deslocamentos de populações e fome que vêm ocorrendo na Síria. Não agir é profundamente imoral.

Só que dirigentes políticos e especialistas da geopolítica, convocando a ética da responsabilidade, retrucam que uma intervenção militar séria na Síria só poderia agravar a situação e provocar mais mortandade, abrindo o caminho para um regime ainda mais hediondo em Damasco.

Responsabilidade política

É claro que a simples ética de convicção não é suficiente, apesar de que sem ela não haveria ética alguma. Também é evidente que qualquer responsável político deveria se sentir responsável pelas consequências de seus atos. Mas no caso da Síria a escolha americana e europeia de não intervir no conflito já produziu consequências intoleráveis, inclusive do ponto de vista dos realistas da geopolítica.

E o argumento de que uma ingerência nessa guerra vai piorar o sofrimento das populações não faz nenhum sentido diante dos 250.000 mortos, das centenas de milhares de torturados, dos 4 milhões de refugiados que tiveram que abandonar o país e da metade da população síria deslocada. Pior não pode ficar.

Quanto aos resultados políticos, o balanço é catastrófico. Os fanáticos do grupo terrorista auto denominado “Estado Islâmico” (Daech, em árabe) controlam boa parte do Leste e Norte do país, escravizando as populações, massacrando minorias étnicas, destruindo tesouros da humanidade e exportando terror para a Europa, África do Norte, Estados Unidos e até Ásia do Sudeste.

As matanças perpetradas por Daech e pelo regime sírio provocaram uma onda de refugiados que ameaça a estabilidade política da Europa. A ausência de intervenção escancarou um espaço para a transformação de um grupelho terrorista num poderoso quase-Estado, perigoso para o mundo inteiro.

Hoje o consenso é de que só uma ação militar terrestre poderia derrotar o Estado Islâmico, e que só poderia ser feita por forças locais – os curdos sírios e a oposição sunita moderada, laica e islâmica.

Bashar Al-Assad é o problema

O problema é que esses combatentes são o alvo principal dos bombardeios russos e turcos, e que Americanos e Europeus só dão ajuda a conta-gotas. Moscou e muitos responsáveis ocidentais acham que a única solução é contar com o regime de Bashar Al-Assad. Mas Assad é “o” problema. Depois de quatro anos de massacres, o ditador de Damasco não tem mais nenhuma legitimidade fora da sua comunidade alauíta minoritária.

Os sírios sunitas, de longe maioritários, preferem morrer do que voltar ao passado, e o exército do regime praticamente se desmanchou. A atual ofensiva contra Alep está sendo levada por tropas do Hezbolah libanês, do Irã e da Rússia. Resultado: sem ajuda séria, os combatentes da oposição mais moderada estão pouco a pouco se bandeando para os fanáticos do Daech, nem que seja para continuar lutando.

Pensar que tudo vai voltar como dantes e que Assad vai pacificar o país quando ele sempre utilizou o dito “Estado Islâmico” para enfraquecer a oposição, é um sonho de uma noite de verão. Até do ponto de vista geopolítico clássico, a não intervenção é um desastre: ela abriu espaço para a ingerência do Irã, da Turquia, da Arábia Saudita e seus aliados do Golfo e, agora, da Rússia de Putin.

Nem os mais fervorosos adeptos da ética da responsabilidade tem cara para assumir a responsabilidade por resultados tão catastróficos. Nem responsabilidade, nem convicção: pura irresponsabilidade. Daqui a vinte anos, ninguém vai poder justificar a própria covardia argumentando que “não sabia”.

 


Sobre o mesmo assunto

  • O Mundo Agora

    Somente uma Europa unida poderá combater o grupo Estado Islâmico

    Saiba mais

  • O Mundo Agora

    Putin pode se dar mal no “atoleiro” sírio

    Saiba mais

  • Fato em Foco

    Presença do Irã em negociações sobre a Síria é essencial para a paz

    Saiba mais

  • Fato em Foco

    “O Iraque e a Síria acabaram”, diz pesquisador

    Saiba mais

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. ...
  5. seguinte >
  6. último >
Programas
 
O tempo de conexão expirou.