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Mundo

MSF lança nova advertência após 16 mortes por fome em Madaya

media Moradores de Madaya fogem da cidade sitiada pelo Exército. REUTERS/Omar Sanadiki

Outras 16 pessoas morreram de fome na cidade síria rebelde de Madaya (oeste), sitiada pelas forças pró-regime, denunciou neste sábado (30) a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF). "A MSF dispõe de relatórios médicos claros indicando que 46 pessoas morreram de inação em Madaya desde 1º de dezembro", afirma a organização em um comunicado.

Comboios com ajuda humanitária entraram na cidade em meados de janeiro, mas para muitos sírios a ajuda chegou tarde demais. "O número de vítimas é certamente maior, porque há relatos de pessoas que teriam morrido de fome em suas casas", acrescenta a MSF. Os casos atuais de desnutrição são estimados em 320 nesta cidade a oeste de Damasco, incluindo 33 pacientes em "perigo mortal", segundo a MSF. A ONG qualifica a situação de "inaceitável".

A MSF acusa as forças leais ao regime do presidente sírio Bashar al-Assad de "continuar a bloquear o fornecimento do equipamento médico e medicamentos essenciais". "É necessária uma presença médica permanente e independente em Madaya, porque acreditamos que a situação médica vai piorar, enquanto o acesso aos cuidados para as pessoas é extremamente limitado", defende o diretor de operações de MSF, Brice de Vingne.

Quase 500 mil sírios vivem sitiados

Em Madaya, mais de 40.000 pessoas vivem sob o cerco do Exército há meses. A cidade se tornou um símbolo do sofrimento da população civil na Síria desde o início da guerra, em 2011.

O destino desta cidade também é um ponto sensível para a realização das atuais negociações de paz para a Síria em Genebra. Os principais grupos de oposição sírios que chegam hoje a Genebra para participar do diálogo de paz promovido pela ONU exigem a implementação de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que ordene o fim dos bombardeios em áreas civis e um acesso humanitário às áreas sob cerco.

Segundo a ONU, cerca de 486 mil sírios vivem em cidades sitiadas pelas forças do regime, pelos rebeldes ou pelos jihadistas do Estado Islâmico (EI).

A operação que permitiu a entrada de alguns comboios humanitários em Madaya em meados de janeiro também envolveu as cidades xiitas de Fua e Kafraya, cercadas pelos rebeldes na província de Idleb (noroeste), mas onde a situação era considerada menos catastrófica do que em Madaya.

As organizações humanitárias têm apelado repetidamente para o acesso incondicional aos civis sitiados em conformidade com o direito humanitário internacional. O chefe das operações humanitárias da ONU lamentou nesta semana que 75% dos pedidos de acesso para assistência humanitária tenham sido ignorados pelo governo sírio.

Com informações da AFP

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