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Jovens conectados desafiam poder de velhas gerações

Jovens conectados desafiam poder de velhas gerações
 
Jovens conectados desafiam poder de velhas gerações REUTERS/Stringer

A distância entre a juventude e as autoridades políticas, sociais e econômicas está se tornando abismal. As conseqüências são profundas e imprevisíveis: dos diversos terrorismos à fratura digital entre velhos e jovens, passando pela desconfiança generalizada nos dirigentes e partidos políticos tradicionais.

Esse tipo de fenômeno geracional acontece sempre que a ordem política não dá mais conta do recado diante das profundas mudanças sociais nas maneiras de viver, de se comunicar, de produzir e consumir. São momentos onde os valores antigos perdem suas significações para as novas gerações.

Nas décadas de 1960 e 1970, o fim do colonialismo, a explosão da produção e do consumo de massa, a urbanização galopante, a revolução dos costumes e da sexualidade graças à invenção dos antibióticos e da pílula, e a ubiqüidade da televisão de massa, abriu um fosso entre a cidadania jovem e os velhos estamentos políticos, religiosos ou familiares.

O mundo inteiro viveu então uma erupção de revoltas contra a ordem estabelecida desde o final da Segunda Guerra Mundial. Algumas pacíficas e criativas, impondo suas próprias contra-culturas e inventando a primeira consciência ecológica. Outras violentas e politizadas: guerrilhas, movimentos armados independentistas, grupelhos terroristas.

Todos reagindo ao clima opressivo e angustiante da Guerra Fria e da ameaça de aniquilamento atômico.
Em pouco mais de uma década, as autoridades tradicionais foram de tal modo contestadas que a juventude mundial praticamente entrou em dissidência. Haviam os que se propunham criar uma sociedade alternativa e utópica.

Velhas ideologias marxistas serviram de suporte para revolta

Outros acreditavam que a solução era tomar o poder – pela força ou pelo voto – para mudar radicalmente o funcionamento da sociedade. Muitos foram buscar nas velhas e ultrapassadas ideologias marxistas revolucionárias um suporte para suas revoltas, uma maneira de criar uma solidariedade de grupo nesse novo mundo onde o individualismo de massa estava desmanchando todas as outras instituições sociais coletivas. Uns e outros contribuíram para mudar o mundo. Até sem querer.

O apelo do socialismo autoritário morreu com a queda do Muro de Berlim e a implosão da União Soviética. Os capitalismos nacionais cederam diante da globalização do comércio, das finanças e da produção. Essa nova geração lançou uma das maiores revoluções tecnológicas da História e novas formas de informação e comunicação. Uma nova sociedade humana universal, hiper-conectada, apareceu dissolvendo as bases de poder das gerações precedentes.

Geração revolucionária se encastelou no poder

Só que, envelhecendo, a geração revolucionária se encastelou no poder, criando novas formas de autoridade e se locupletando nas velhas pragas do clientelismo e da corrupção. De novo criou-se uma fratura entre as instituições de poder – cada vez mais desprovidas de meios para controlar e administrar as próprias sociedades – e a realidade social e econômica.

Hoje, mais uma vez, são as novas gerações que desejam acabar com esse velho mundo e conquistar um lugar ao sol. Uma juventude que ambiciona organizar uma vida social e poderes públicos adequados a uma realidade onde o impera o individualismo triunfante.

Os mais radicais, frustrados e sem esperanças, embocam pela via da violência política e buscam conforto em ideologias coletivas: o islamismo terrorista feito de pedaços mal digeridos de uma velha religiosidade que tem pouco a ver com a religião islâmica tradicional, o fundamentalismo extremista judeu, cristão ou hinduísta, os nacionalismos locais ou os partidos xenófobos e racistas.

Mundo da geração 60 e 70 está sendo desmontado

Os outros, estão criando novas forças políticas competindo com os partidos tradicionais, ou simplesmente inventando novas empresas, novos produtos, novas maneiras de consumir e de se comunicar que ignoram as autoridades constituídas. Toda transição é perigosa: a maior violência coabita com o maior progresso e as maiores realizações pacíficas.

Nada está escrito de antemão. Ainda não sabemos se estamos à beira de uma era de terríveis destruições sem futuro ou se estamos prestes a saltar para um extraordinário mundo novo, uma era de prosperidade e paz jamais vista. Só uma coisa é certa: o mundo criado pela geração dos anos 1960 e 70 está sendo desmontado, para o bem como para o mal. E não será um parto sem dor.
 

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