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Mundo

Coalizão árabe decreta fim do cessar-fogo no Iêmen

media Centro comunitário destruído por ataque aéreo da coalizão árabe na província iemenita de Hudieda, neste sábado REUTERS/Abduljabbar Zeyad

Terminou oficialmente neste sábado o cessar-fogo em vigor desde 15 de dezembro no Iêmen, anunciou a coalizão militar árabe que apoia o governo iemenita na luta contra xiitas da minoria huthi, apoiado pelo Irã. A trégua foi decretada pelo governo iemenita para marcar o início das negociações diretas entre as partes em conflito, sob a égide da ONU na Suíça.

O cessar-fogo chegou a ser prorrogado, mas os combates, bombardeios, tiros de mísseis e ataques aéreos continuaram em várias regiões do país. Em um comunicado oficial, o comando da coalizão árabe-sunita informou que a trégua estaria suspensa a partir das 14h locais (9h em Brasília). O texto ainda acusou os rebeldes de se aproveitar do fim das hostilidades para conquistar terreno.

Outra justificativa para o rompimento da trégua foi o fato de que, nas últimas duas semanas, os huthis teriam lançado mísseis balísticos contra o reino saudita. Um deles, contra a cidade de Abha, teria sido interceptado na sexta-feira à noite, indicou a declaração, informando que a plataforma de lançamento foi "localizada e destruída".

Além dos mísseis, a coalizão relatou ataques rebeldes contra postos de fronteira sauditas e outras operações que teriam dificultado o envio de ajuda humanitária. Os xiitas huthis também teriam continuado "a bombardear residências e matar ou deter civis iemenitas nas cidades sob seu controle", afirma o comunicado. "Tudo isso prova que os milicianos (huthis) e seus aliados não são sérios e utilizam claramente a trégua para obter ganhos (militares)", conclui o texto.

Guerra no fronte, negociações na Suíça

Desde 18 de dezembro, enquanto as negociações estavam em andamento na Suíça, as forças pró-governamentais apoiadas por tribos lançaram uma ofensiva no norte e recuperaram várias localidades. Desde a metade de 2015, as forças pró-governo retomaram cinco províncias do sul, mas os combates continuam e a autoridade do Estado é praticamente inexistente. Após primeiras tratativas, a ONU anunciou que uma nova rodada de negociações será realizada a partir de 14 de janeiro.

A coalizão liderada por Riad realiza desde março ataques aéreos e operações terrestres contra os huthis, que se apoderaram de grandes porções do território, incluindo a capital Sanaa, de onde foi expulso o governo reconhecido pela comunidade internacional. Além da Arábia Saudita, Bahrein e Marrocos, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Catar, Egito e Sudão estão envolvidos nesta coalizão.

Grupos jihadistas como a Al-Qaeda e o Estado Islâmico aproveitaram-se do caos criado pela guerra para reforçar a sua presença, especialmente na grande cidade de Áden. Desde março, o conflito fez cerca de 6.000 mortos, 28.000 feridos e 2,5 milhões de deslocados.
 

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