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Mundo

EUA e Rússia ainda têm divergências importantes sobre Síria, diz Moscou

media O secretário de Estado americano, John Kerry (e), conversa com o chanceler russo, Serguei Lavrov, em 15 de dezembro REUTERS/Mandel Ngan/Pool

Perduram divergências importantes entre os Estados Unidos e a Rússia sobre a maneira de resolver a crise síria, informou o ministério russo das Relações Exteriores. Nesta terça-feira (15), depois de se reunir por várias horas com o chanceler russo, Serguei Lavrov, e com o presidente Vladimir Putin, o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, declarou que Washington e Moscou haviam chegado a um entendimento. Pelo menos o suficiente para que uma nova reunião internacional fosse marcada para sexta-feira em Nova York.

Mas ainda persiste a divergência sobre o futuro de Bashar al-Assad. A Rússia é aliada do presidente sírio, mas os Estados Unidos acreditam que qualquer transição política no país deve passar por sua destituição.

Outro ponto de discórdia, mais sutil, diz respeito à participação dos curdos sírios no processo de paz. Os russos defendem que eles façam parte, já que constituem a principal força terrestre contra o grupo Estado Islâmico. Mas isso criaria constrangimentos para Washington: as unidades curdas - a brigada masculina YPG e a feminina, YPJ - têm ligações com o PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão) que, apesar de não realizar ações terroristas há uma década, ainda é considerado terrorista pelos Estados Unidos, pela Otan e pela União Europeia.

A pressão pela manutenção desta classificação vem, sobretudo, da Turquia. O governo de Recep Tayyip Erdogan declarou guerra total contra o PKK depois de um atentado atribuído (mas não reivindicado) ao grupo Estado Islâmico contra a cidade curda de Suruç, em agosto. Apesar de as 32 vítimas serem simpatizantes da causa curda que se preparavam para uma missão humanitária de reconstrução de Kobane - cidade síria reconquistada dos jihadistas justamente pelo YPG e o YPJ - o presidente turco usou o atentado como pretexto para atacar os curdos.

Como política interna turca afeta geopolítica do conflito sírio

Toda essa política disparatada se explica pelo resultado das eleições legislativas da metade do ano, em que Erdogan perdeu a maioria parlamentar para um sigla pró-curda e viu adiado seu desejo de outorgar plenos poderes à presidência da República, encerrando o parlamentarismo turco. Para recobrar o poder sobre o Legislativo, o presidente lançou uma campanha do medo, impulsionada por três frentes: a guerra total contra PKK em solo turco; a guerra de propaganda contra a mídia opositora, que incluiu o fechamento de ao menos nove canais de televisão; e a guerra política contra o partido pró-curdo HDP, acusado pelo governo de "complacência com terroristas".

Apesar do óbvio desequilíbrio das ações turcas contra curdos e jihadistas, Ancara ainda é uma aliada estratégica dos americanos na guerra síria e dos europeus na crise migratória. Desde que a Turquia aceitou permitir que os Estados Unidos utilizem a base aérea de Incirlik, no sul do país, cresceu enormemente a eficiência dos ataques da coalizão contra o grupo Estado Islâmico. E a União Europeia conta com a Turquia para conter o fluxo de migrantes sírios, afegãos e paquistaneses que atravessa diariamente o país em direção às suas fronteiras.

Neste processo, os europeus fizeram pesadas concessões aos turcos, desde a doação de € 3 bilhões para acolher migrantes, até a promessa de acelerar a integração de Ancara ao bloco europeu. Essa proposta estava quase travada por conta da reticência da maioria dos membros de trazer para dentro de suas fronteiras um governo sem grandes compromissos democráticos e com relações no mínimo suspeitas com o grupo Estado Islâmico.

Eco do avião derrubado

Neste contexto, o pedido russo pela integração dos curdos sírios à mesa de negociações pode ser visto como uma alfinetada em Ancara, com quem Moscou enfrenta um imbróglio diplomático grave desde que as forças armadas turcas derrubaram um caça russo na fronteira com a Síria. Apesar de o exército turco ter afirmado que o aparelho invadiu seu espaço aéreo, Moscou acusou Ancara de atacar o avião para proteger uma rota de tráfico de petróleo do grupo Estado Islâmico para a Turquia.

De acordo com o Kremlin, até a família de Erdogan - cujo filho é dono de uma das principais companhias energéticas do país e o genro, ministro da Energia - estaria envolvida diretamente na compra de petróleo e, consequentemente, no financiamento da organização ultrarradical. Depois da derrubada do caça, Moscou impôs sanções às exportações turcas e restabeleceu a exigência de vistos para que turcos visitem a Rússia e congelou grandes projetos energéticos.

Todas essas cartas devem estar na mesa em Nova York nesta sexta-feira.

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