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Mundo

"Intifada das facas" gera onda de pânico em Israel, afirma imprensa

media Manifestante palestino durante confrontos com o exército israelense em um checkpoint próximo a Ramallah, Cisjordânia 06 de outubro de 2015. REUTERS/Mohamad Torokman

O atual levante palestino, que começou em 1° de outubro na Jerusalém ocidental e já se espalha por Israel, parece já ter um nome consolidado na imprensa: "Intifada das facas". A nova onda de ataques contra as forças de segurança e os civis israelenses, fruto da revolta com a ocupação e da desilusão da juventude palestina com os processos de paz, acontece de forma descentralizada, sem objetivo claro e sem alvo determinado. Os ataques a arma branca não têm grande potencial destrutivo - em 23 tentativas, os palestinos mataram sete israelenses e feriram algumas dezenas -, mas causam um estrago psicológico na sociedade.

O jornal Aujourd'hui en France explica que os agressores se misturam à multidão, usam uma arma difícil de ser detectada e podem atacar potencialmente qualquer pessoa. Por isso, todo mundo anda desconfiado, olhando por cima do ombro. E esse sentimento é reforçado pela televisão que, como conta o jornal, tem difundido à exaustão conselhos técnicos de como se defender de ataques com armas brancas.

As autoridades também não ajudam: o prefeito de Jerusalém, Nir Barkat, pediu para todo mundo que tem porte de arma só sair às ruas armado. E segundo o jornal, o chefe da polícia da cidade disse que qualquer pessoa que esfaquear judeus ou matar inocentes deve morrer. Isso, num momento em que as execuções sumárias de palestinos por agentes israelenses têm preocupado cada vez mais a comunidade internacional. Sete judeus morreram desde o início dos ataques.

Cadáveres retidos

Mas, no lado palestino, já foram 28, cujos corpos ainda não foram devolvidos às famílias. Le Figaro entrevistou parentes de palestinos mortos pela polícia nos últimos dias, como o jovem Mohammed Ali. O rapaz de 19 anos saiu de casa para cortar o cabelo e, no meio do caminho, foi enquadrado pela polícia. Ele se levantou para pegar um documento pedido pelo policial, mas sacou uma faca e começou a golpear desesperadamente, atingindo o pescoço de um agente. As câmeras de segurança mostram que, depois de tomar dois tiros, ele continua a agitar a faca, até cair desfalecido.

Oito dias depois do ataque, o corpo ainda não foi entregue à família, que tem deixado cadeiras brancas na frente de casa, organizadas para os convidados de um velório que não acontece. Bandeiras do Fatah e do Hamas completam a cena, mas as duas organizações palestinas não têm qualquer relação com o ataque de Ali, ou de qualquer outro palestino nos últimos dias. Le Figaro cita inclusive um rapaz que deixou um bilhete, pedindo que seu atentado não fosse reinvindicado.

Essa revolta espontânea, alimentada pela circulação nas redes sociais de vídeos mostrando a violência cotidiana das forças israelenses contra palestinos, é chamada por um tio de Ali de "intifada pura". Como é uma revolta que deriva da repressão e da falta de perspectiva política, ela aumenta à mesma proporção que Israel tenta contê-la.

Muros

Foi justamente para tentar conter - inclusive fisicamente - a revolta, Israel sitiou os bairros palestinos de Jerusalém Oriental e construiu um muro para delimitar o bairro de Jebel Moukaber. Esse assunto interessou ao professor Dominique Moïsi, do King's College em Londres, colunista do diário econômico Les Echos. Ele compara a Muralha de Adriano, no norte da Grã-Bretanha, e a Muralha da China, ao muro israelense.

Aqueles muros procuravam limitar e proteger impérios, por mais contestáveis e subjetivas que sejam essas motivações. O de Berlim buscava evitar a dissolução do lado comunista pela migração em massa. Mas o de Israel é particularmente bizarro, considerando que a colonização segue a pleno vapor, impulsionada pelo "nacionalismo da terra, de natureza cada vez mais religiosa". Moïsi não se arvora a distinguir os muros justificáveis dos injustificáveis, mas observa que os muros de hoje, do México à Hungria e Israel, são erguidos pelo medo. E isso nunca é um bom sinal.

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