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Mundo

Líbano: procuram-se lixeiros e presidente urgente

media Des passants dans une rue de Beyrouth où les poubelles s'amoncellent, le 26 août 2015. REUTERS/Mohamed Azakir

O Líbano está em uma busca desesperada por lixeiros e um presidente. Nesta quarta-feira (02), o país tenta, pela 28ª vez, escolher um chefe de Estado. Desde maio de 2014 os parlamentares já se reuniram com o mesmo objetivo 27 vezes. Desta vez, pelo menos, o contexto é diferente: há dias a indignação popular deu lugar a manifestações contra a corrupção, os cortes de energia e água e à crise na coleta de lixo. Crise que, inclusive, inspirou o principal slogan das manifestações, que envia um recado aos políticos: "vocês fedem".

Do correpondente da RFI no Líbano, Sami Boukhelifa

A capital Beirute está sem coleta de lixo desde o fim de julho, transformando a principal cidade do país em uma montanha de lixo, o que parece simbolizar a atual situação política do país: malcheirosa e insalubre.

Para os libaneses, a hora de agir é agora. A sociedade civil organizou-se de maneira espontânea com manifestações e criando movimentos sociais. Todos denunciam a inércia do estado frente aos problemas cotidianos como os constantes cortes de água e energia e a greve da coleta de lixo, questões que cristalizam um problema mais profundo: a rejeição de um sistema corroído pelo clientelismo e pela corrupção.

No fim de semana passado, dezenas de milhares de libaneses desceram às ruas para dizer que a classe dirigente do país "fede". "As reivindicações sociais, assim como a pressão da rua não vão parar", garantiu o jovem Yann Delage, membro do coletivo "Vocês fedem". "Atualmente, estamos no caos. Não sabemos quem faz o quê com este governo. Os ministros não trabalham. Esse sistema é a prova do fracasso dos últimos anos. Nosso movimento não vai desistir. Nós queremos justiça social", afirma.

Diante dos problemas, uma cadeira vazia

Após o fim do mandato de Michel Sleimane, no dia 24 de maio de 2014, os libaneses ainda não conseguiram encontrar um novo chefe de Estado. Nesta quarta-feira, o Parlamento vai tentar mais uma vez escolher um, mais nada ainda está garantido. "No Líbano precisamos sempre de um padrinho extrangeiro para resolver as crises políticas" lamenta Joseph Maïla, professor de relações internacionais na Escola Superior francesa de Ciências Econômicas e Comerciais, a ESSEC. Os padrinhos estrangeiros em questão são a Arábia Saudita, que apoia os sunitas e o Iran, que apoia os xiitas. E as duas grandes potências regionais não parecem muito dispostas a chegar a um acordo.

Para Maïla, o Líbano pode muito bem sobreviver a uma nova crise política, mas o verdadeiro problema está no abandono no qual encontra-se a população. "A desorganização da vida política é menos importante que a desorganização da vida civil... nem a coleta de lixo funciona. Isso mostra quão profunda é a doença que gangrena as instituições responsáveis pelos serviços cotidianos dos libaneses e suas necessidades elementares", explica o especialista.

A primavera "do lixo" não acontecerá

Revoltados, os manifestantes começaram com gritos que ficaram famosos durante a famosa "Primavera Arabe", "Queremos a queda do regime", antes de amenizar um pouco as demandas. Para o jovem Yann, pedir a saída do premiê Tammam Salam, por exemplo, está fora de questão. "Nós queremos apenas reivindicar nossos direitos", esclarece.

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