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Mundo

Presidente de Israel diz que racismo contra etíopes é “ferida aberta”

media Violentas manifestações em Jerusalém e Tel Aviv depois da difusão de um vídeo que mostra dois policiais agredindo um soldado israelense de origem etíope. REUTERS/Baz Ratner

Um dia após violentas manifestações em Jerusalém e Tel Aviv, o presidente de Israel, Reuven Rivlin, admitiu nesta segunda-feira (4) que o Estado cometeu "erros" em relação aos judeus etíopes. Rivlin falou em "ferida aberta" na sociedade, referindo-se às discriminações e ao racismo contra os judeus africanos.

Daniela Kresch, correspondente da RFI em Tel Aviv

Depois que milhares de judeus etíopes tomaram as ruas de Tel Aviv no domingo à noite para protestar contra a violência policial, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, prometeu receber hoje líderes comunitários para tentar acalmar os ânimos. Cerca de 70 pessoas ficaram feridas e 30 foram presas durante o protesto dos judeus africanos, que começou com uma marcha pacífica contra a discriminação e o racismo.

A violência começou quando alguns manifestantes quebraram vitrines, viraram carros e lançaram pedras e garrafas contra policiais, que revidaram com jatos d'água, gás lacrimogênio e granadas de efeito moral. O estopim foi um vídeo divulgado há alguns dias no qual um soldado etíope é duramente atacado por policiais sem motivo aparente, o que levou muitos a fazer comparações com a recente tensão racial nos Estados Unidos. Os dois policiais foram suspensos.

Apesar de serem apenas 1,8% da população de Israel, ou 120 mil pessoas, o percentual de imigrantes etíopes nas prisões do país é alto. Nas cadeias militares, por exemplo, os soldados etíopes são um terço dos detentos.

Imigração data dos anos 70

Os judeus da Etiópia, que sofriam com pobreza e abandono em seu país, foram reconhecidos formalmente como judeus pelo rabinato de Israel no fim da década de 70, quando começou uma imigração em massa para o país, financiada pelo governo. Mas a adaptação deles foi difícil, dadas as diferenças culturais e socioeconômicas. Quase quatro décadas depois, as novas gerações dizem ser discriminadas.

As manifestações dos últimos dias provocaram a abertura de um debate nacional sobre o racismo em Israel. Segundo a imprensa israelense, cerca de 10 mil pessoas participaram do protesto de domingo. Para a polícia, havia 3 mil participantes.

O presidente do país, considerado uma autoridade moral em Israel, afirmou que o governo “deve tratar essa ferida aberta” que representa o preconceito. “Nós cometemos erros. Nós não abrimos suficientemente os olhos e as orelhas [para a situação]”, declarou Rivlin.

 

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