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Mundo

Jihadista em vídeos de decapitação do grupo EI é identificado

media "Jihadi John", o extremista do grupo Estado Islâmico que decapitou diversos reféns seria o londrino Mohammed Emwazi. REUTERS/Social Media Website via REUTERS T

Jornais britânicos e norte-americanos revelaram nesta quinta-feira (26) a identidade do jihadista que aparece em diversos vídeos de decapitação do grupo Estado Islâmico, chamado pelos serviços de inteligência como "Jihadi John". Mohammed Emwazi, de 26 anos, é de uma família de classe média de Londres e originária do Kuwait.

Até o momento, as autoridades britânicas não confirmaram oficialmente a identidade do carrasco do grupo extremista. O órgão de inteligência do Reino Unido, Scotland Yard, disse que as investigações continuam. Já o Centro de Estudos sobre radicalização da King's College de Londres afirmou, no entanto, que a informação "parece estar correta".

Segundo a correspondente da RFI em Londres, Muriel Delcroix, Emwazi já era conhecido dos serviços de segurança e era vigiado desde 2009. A identificação, no entanto, teria sido feita pelos próprios parentes do jihadista. Segundo amigos do extremista entrevistados pelo jornal norte-americano Washington Post, a voz que se ouve nos vídeos de propaganda do grupo Estado Islâmico é, sem dúvida, de Emwazi.

Decapitações

Mohammed Emwazi seria o radical que aparece nas gravações decapitando os jornalistas norte-americanos James Foley e Steven Sotloff, além dos agentes humanitários David Haines e Peter Kassig e o taxista britânico Alan Henning. Ele se tornou o símbolo da crueldade dos extremistas ao aparecer em diversos vídeos do grupo. Suspeita-se que ele tenha participado também das recentes execuções dos japoneses Kenji Goto e Haruna Yukawa.

Nas imagens, “Jihadi John” está sempre vestido de preto, com o rosto coberto e uma faca na mão, ao lado dos reféns com vestimentas alaranjadas e ajoelhados. Com um sotaque tipicamente londrino, ele chegou a ameaçar o presidente norte-americano Barack Obama e prometeu “levar a jihad aos Estados Unidos”. Em outro vídeo, ele chama o primeiro-ministro britânico de “marionete”.

Radicalização

Emwazi chegou aos Reino Unido  do Kuwait com seis anos e vivia com sua família no oeste de Londres. Ele obteve um diploma de Ciências da Computação da universidade de Westminster, antes de se radicalizar e se associar a um militante do grupo extremista al-Shebab na Somália.

Em 2009, ele foi deportado pela Tanzânia, onde disse que estava fazendo um safári. Logo depois, conseguiu um emprego na área de informática no Kuwait. Em em uma de suas voltas a Londres, em 2010, Emwazi foi preso e proibido de viajar, além de ter seus pertences confiscados.

O diretor de pesquisa da organização de defesa de direitos civis Cage, Assim Qureshi, chegou a se encontrar com o jovem, que se queixava dos maus-tratos das autoridades do Reino Unido e que pediu ajuda à instituição. “Isso pode lhes surpreender, mas o Mohammed que eu conheci era de uma extrema gentileza. Quando entenderemos que quando tratamos as pessoas como forasteiros, elas se considerarão forasteiras e irão procurar uma outra pátria?”, questionou Qureshi em uma coletiva de imprensa.

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