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Mundo

Mesmo sem mortes em mais de 24 horas, cessar-fogo na Ucrânia ainda é frágil

media Habitantes de Artemivsk, no leste da Ucrânia, passam em frente a tanque do exército do país. REUTERS/Gleb Garanich

Pela primeira vez em dez meses de conflito, a Ucrânia não registrou nenhuma morte em 24 horas. Apesar disso, Kiev considera que ainda é cedo para comemorar a aplicação do cessar-fogo assinado em Minsk no último dia 12 entre ucranianos e rebeldes, com mediação da chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês François Hollande e na presença do chefe de estado russo Vladimir Putin.

De acordo com o exército da Ucrânia, os separatistas enviaram uma coluna de armamentos pesados à cidade costeira de Novoazosk, a 30 quilômetros do porto estratégico de Mariupol.

Isso seria um flagrante de descumprimento do acordo, que prevê a criação de uma zona desmilitarizada ao redor do front de batalha. O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, afirmou que "nem a Rússia, nem as forças que ela apoia cumprem seus compromissos" com o cessar-fogo.

Por outro lado, os rebeldes levaram um grupo de jornalistas a Obilné, uma cidade a 20 quilômetros de Donetsk, principal foco de insurreição, para mostrar o que chamaram de "uma retirada de armas pesadas": um combio de 14 canhões de 122 milímetros, além de diversos caminhões, que se dirigiam para a cidade de Starobecheve ao sul. A Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) não confirma nenhum recuo de armamentos.

Rússia acusa Ucrânia de "genocídio" por cortar gás de regiões separatistas

No setor energético, o tom subiu entre a Ucrânia e a Rússia, depois que o presidente russo chamou de "genocídio" a recusa de Kiev em fornecer gás às regiões controladas pela insurgência. Desde a semana passada, a gigante russa Gazprom providencia o gás e o Kremlin já afirmou que a conta sobrará para Kiev.

Também aumentou a pressão no plano diplomático. Os Estados Unidos voltaram a acusar os russos de apoiar militarmente os rebeldes e a Inglaterra e a França ameaçaram impor novas sanções a Moscou. Para o Kremlin, essa ameaça demonstra a má vontade de Washington e da União Europeia de fazer cumprir o acordo de Minsk.
 

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