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Mundo

Encomendas de Charlie Hebdo no exterior chegam a 130 mil exemplares

media Charlie Hebdo nas bancas. REUTERS/Stephane Mahe

O distribuidor francês de Charlie Hebdo informou nesta quarta-feira (14), que 130 mil exemplares da mais nova edição do jornal satírico foram encomendados no exterior. O número especial é o primeiro após o sangrento atentado da semana passada, que matou grande parte dos responsáveis e autores da publicação. Oportunismo marca venda de exemplares em sites de leilão por até € 15 mil.

Prevista para ter um milhão de exemplares, a primeira edição teve impressão elevada para três milhões, que se esgotaram rapidamente mal chegaram nas bancas nesta quarta-feira. Os editores decidiram imprimir mais dois milhões de exemplares para tentar suprir a grande demanda. Antes do atentado, a tiragem normal era de 60 mil exemplares.

A Bélgica já recebeu 20 mil exemplares de Charlie Hebdo. O país já encomendou mais cem mil jornais. A Alemanha vai receber 45 mil. A Suíça, 15 mil, e o Canadá, 12 mil. Nos Estados Unidos, as encomendas chegam a 1.600.

Até então vendido a conta-gotas em poucos países, a edição de Charlie Hebdo com Maomé chorando na capa já recebeu pedidos de muitos países ao redor do globo, como Grécia, Suécia, Noruega, Holanda, República Democrática do Congo, República Tcheca, Cingapura, Camarões e Chile, entre outros. O Brasil não consta da lista do distribuidor.

Antes do atentado, Charlie Hebdo só era vendido no exterior na Bélgica, Suíça, Espanha, Canadá, Alemanha, Saint-Martin, Gabão, Portugal, Luxemburgo, Andorra e Costa do Marfim.

Vendas indecentes

Exemplares da recente edição de Charlie Hebdo estão à venda em sites como eBay por até € 15 mil, sendo que nas bancas, o jornal custa apenas € 3. A ONG Repórteres Sem Fronteiras criticou o aparente oportunismo. “Isso que está acontecendo é totalmente indecente”, disse o diretor da organização, Christophe Deloire. Ele citou também os casos de pessoas no exterior tentando registrar a frase “Je Suis Charlie”. “Lamentável”, acrescentou Deloire.

Vídeo autêntico

O Departamento de Estado dos EUA diz que o vídeo, no qual o grupo Al Qaeda na península arábica (Aqpa) reivindica o ataque a Charlie Hebdo, é “autêntico”. O serviço de informações americano diz que está examinando as ligações dos irmãos Chérif e Said Kouachi, autores do massacre em Paris, com a rede de jihadistas.

A Aqpa, nascida da fusão das filiais saudita e iemenita da rede Al Qaeda, é considerada por Washington como o braço mais perigoso da rede de extremistas.

 

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