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Mundo

Eleições na África do Sul testam popularidade de partido de Mandela

media África do Sul realiza primeira eleição depois da morte de Mandela. REUTERS/Mike Hutchings

Mais de 25 milhões de eleitores votam hoje na África do Sul para eleger um novo parlamento e governadores de nove estados. O partido do presidente Jacob Zuma deve vencer a votação. Mas pela primeira vez, ele enfrenta uma oposição histórica, resultado da falta de reformas no país, que continua marcado por uma grande desigualdade econômica e social, e escândalos de corrupção.

Essas eleições são históricas porque acontecem no ano do 20º aniversário do fim do Apartheid, o regime de segregação racial combatido por Nelson Mandela, morto em dezembro. São também as eleições mais concorridas desde a instauração da democracia no país. Os sul-africanos vão eleger 400 deputados, que no dia 21 de maio vão designar um novo chefe de Estado. Zuma deve obter um novo mandato de cinco anos, mas a oposição ganha terreno.

Dois partidos de oposição rivalizam com o partido de Zuma e Mandela, ANC, sigla em inglês para Congresso Nacional Africano, sem de fato ameaçar a vitória. As intenções de voto na legenda, segundo as últimas pesquisas, recuaram para 62%, contra quase 66% obtidos na eleição passada.

Classe média e pobres buscam alternativas

O partido liberal Aliança Democrática (DA), da líder Hellen Zille, está cotado com 20%. A legenda atrai a classe média e jovens insatisfeitos com o partido no poder, mas ainda pena para se livrar da imagem de "partido dos brancos".

Os mais pobres, que não sentem os benefícios da democracia, buscam uma alternativa no partido populista Combatentes pela Liberdade Econômica (EFF), do líder Julius Malema. O programa do EFF prevê a estatização dos bancos, a expropriação de terras de latifundiários sem pagamento de indenizações e uma redistribuição radical das riquezas.

Em 20 anos no poder, o Congresso Nacional Africano gerou enorme progresso para a África do Sul. Conseguiu distribuir água potável e energia elétrica para a maior parte da população, reduziu a criminalidade e a proliferação de favelas, e permitiu, sobretudo, a emergência de uma classe média negra, algo impensável nos tempos do Apartheid.

A decepção dos eleitores veio nos últimos cinco anos com os escândalos de corrupção, nepotismo e má gestão envolvendo o presidente Zuma. O líder sul-africano também é criticado pelo elevado nível de desemprego.

Apesar dessa crise de confiança, a maioria dos sul-africanos ainda prefere votar no partido que os libertou do Apartheid.

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