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Mundo

Ruanda lembra 20 anos do genocídio que deixou 800 mil mortos

media O secretário-geral da ONU Ban Ki Moon está em Kigali para participar das comemorações do genocídio Reuters

As autoridades da Ruanda deram início nesta segunda-feira (7) às comemorações do 20° aniversário do genocídio de 1994, que deixou cerca de 800 mil mortos, a maioria da etnia tutsi, e é considerado um dos piores da história da humanidade. A França, acusada de ser aliada do regime extremista hutu, que deu origem à matança, foi excluída das celebrações.

Nesta segunda-feira, no memorial de Gisozi, o presidente ruandês Paul Kagame, sua esposa Jeannette Nyiramongi e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, acenderam uma tocha que viajou por todo o país durante três meses. A chamada "chama do luto" queimará durante 100 dias para marcar o massacre ocorrido entre abril e julho de 1994.

Em seguida, o chefe de estado ruandês lançará no estádio Amahoro, palavra que significa paz, a cerimônia oficial, na presença de representantes de diversos países e organizações. Inicialmente, a França havia cancelado sua participação depois das acusações do presidente ruandês. Kagame afirmou que o país teve um "papel direto" na preparação do genocídio, tendo inclusive participado das execuções.

Participação da França é suspensa

Neste domingo, porém, o governo francês indicou que seria representado pelo embaixador em Kigali, Michel Flesch. Mas o diplomata informou que seu credenciamento para as cerimônias havia sido retirado, como confirmou a ministro das Relações Exteriores da Ruanda, Louise Mushikiwabo.

A França admitiu em 2010 ter cometido “erros graves” durante o massacre, mas se recusa a pedir desculpas oficiais, como exige o governo ruandês. Hoje, o ex-premiê francês Edouard Balladur denunciou as acusações “mentirosas”, negando que a França tenha sido cúmplice no genocídio. “Pelo contrário: fomos o único país do mundo a organizar uma operação humanitária para evitar um massacre generalizado.”

O genocídio no país também é considerado uma mancha na história da ONU, que foi incapaz de impedir a matança, apesar dos 2.500 soldados boinas-azuis presentes.

Hoje, mais de 20 anos depois do massacre, o país registra um considerável progresso econômico e a guerra de etnias é inexistente, a tal ponto que os termos Hutu e Tutsi viraram tabu.
 

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