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Mundo

Com nova lei, Damasco exclui opositores de eleições de julho

media No dia 19 de janeiro, Bashar al-Assad disse que havia "fortes chances" de ele se candidatar à reeleição AFP PHOTO / HO / SYRIAN PRESIDENCY MEDIA OFFICE

Quem quiser concorrer à presidência da Síria no próximo mês de julho precisa ter vivido permanente e continuamente no país nos últimos dez anos. A nova regra emitida pelo regime de Damasco e divulgada nesta sexta-feira pela imprensa oficial tira do páreo todos os opositores vivem no exílio, o que abre o caminho para um terceiro mandato de Bashar al-Assad.

Antes mesmo de a regra ser estabelecida, a perspectiva de uma eleição presidencial na Síria desagradava a oposição e a comunidade internacional, que pede que ele saia para facilitar uma solução política para o conflito que completa três anos nesta sexta (14) e causou mais de 140 mil mortes.

França e Brahimi

De Paris, o porta-voz do ministério francês das Relações Exteriores, Romain Nadal, pediu que Damasco desista de organizar as eleições. De acordo com ele, a França quer uma rápida retomada das negociações de paz na Suíça, o que significa aceitar a agenda proposta pelo mediador internacional Lakhdar Brahimi e desistir de realizar o pleito fora do quadro estabelecido pela declaração de Genebra sobre a transição política.

Brahimi criticou na quinta-feira, diante das Nações Unidas em Nova York, o fato de o processo acontecer no país em guerra. Para ele, as eleições seriam contraproducentes para o diálogo de paz. "Se houver uma eleição, eu suspeito que a oposição, toda a oposição, irá se abster de dialogar com o governo", declarou o mediador.

Reação em Damasco

Em Damasco, ele foi acusado nesta sexta-feira de extrapolar suas funções. "As declarações de Lakhdar Brahimi sobre as presidenciais na Síria não se inscrevem em sua missão", disse à televisão oficial síria o ministro da Informação Omrane al-Zohbi. Para ele, "Brahimi deve respeitar seu trabalho de mediador, ser honesto e imparcial. Seu discurso está afinado com a linguagem da delegação da Coalizão de Oposição (às negociações de paz) em Genebra e com a política americana".

Al-Zohbi disse ainda que "Brahimi não tem o direito de executar a política americana na Síria e a decisão de organizar eleições presidenciais cabe às autoridades sírias. Ninguém tem o direito de impor entraves às mudanças constitucionais de um país". Mas para a oposição que luta há três anos para derrubar al-Assad, sua saída é a condição para qualquer diálogo.

Campanha

Apesar de ter declarado em janeiro que havia fortes chances de ele disputar o terceiro mandato, o presidente não anunciou oficialmente a candidatura. Mesmo assim, sua campanha já começou em Homs, terceira maior cidade do país e antigo bastião da oposição.

Na praça al-Nouzha, no centro comercial local, há um imenso outdoor com uma foto do presidente saudando a população, sob a frase "Porque você é o símbolo de nossa vitória e nossa resistência, imploramos que você se candidate à presidência da República Árabe da Síria".

 

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