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Mundo

Muçulmanos cumprem ritual da lapidação de Satã perto de Meca

media Peregrinação anual à Meca, na Arábia Saudita, destino dos fiéis muçulmanos que iniciam hoje o ritual de lapidação do Diabo e começo da Eid_al-Adha, a festa do Sacrifício. REUTERS/Ibraheem Abu Mustafa

Milhares de muçulmanos que participam da peregrinação anual à Meca (Hajj, em árabe) cumpriram hoje o ritual da lapidação de Satã, dando início à festa do Sacrifício (Eid-al-Adha). Este ritual marca o início da fase final da peregrinação, que este ano reuniu 1,5 milhão de fiéis na cidade sagrada contra 3,2 milhões em 2012.

Homens vestidos com longas túnicas brancas e mulheres cobertas dos pés à cabeça ocuparam desde as primeiras horas da manhã o vale de Mina, perto de Meca. A multidão é guiada por soldados e policiais para evitar tumultos. Chegando ao local onde foram instaladas estelas (espécie de balizas) que representam o Diabo, os fiéis cumprem o ritual de apedrejamento. A cerimônia pode durar até três dias.

A lapidação simboliza, segundo a tradição muçulmana, a resistência a Satanás, que apareceu em três lugares diferentes para dissuadir o patriarca Abraão de sacrificar seu filho, Ismael, conforme Deus havia ordenado. Quando ele se preparava para sacrificar o filho, Abraão recebeu um cordeiro que foi sacrificado no lugar de Ismael. Na festa do Sacrifício, os muçulmanos assam um carneiro para lembrar o gesto de Abraão.

Peregrinos aprovam redução de participantes

Os peregrinos que estão na cidade sagrada aprovaram a limitação do número de participantes imposta este ano pelo governo saudita, a fim de diminuir o risco de contaminação com o coronavírus, vetor de uma síndrome respiratória que já matou 51 pessoas no país.

"O público este ano é menos compacto e seus movimentos são mais fluidos", relatou o peregrino paquistanês Shiraz Khorshid à agência AFP. "A organização tem sido boa em todas as partes do Hajj", acrescentou Khorshid, que trabalha em um centro de treinamento professional no leste da Arábia Saudita.

"A peregrinação deste ano é melhor do que no ano passado, com menos engarrafamentos, e pela primeira vez conseguimos pegar o trem que faz a ligação entre os locais sagrados", acrescentou Turkey Al-Ashwal, uma iemenita que participa da peregrinação pelo segundo ano consecutivo.

Os peregrinos se movem dentro de um raio de 16 km desde domingo, quando eles deixaram Meca para Mina. Ontem, eles rezaram no Monte Arafat, considerado o momento mais importante da peregrinação. Em seguida, passaram a noite no vale de Muzdalifa, antes de voltar a Mina, seguindo seus guias e agitando bandeiras de seus países.

Um grupo de peregrinos sírio andou atrás de uma bandeira da rebelião que tenta derrubar o regime do presidente sírio, Bashar al-Assad. Alguns peregrinos egípcios mostraram o seu apoio ao ex-islamita Mohamed Mursi, deposto pelo Exército. Mas não houve manifestações políticas, que são proibidas pelas autoridades sauditas.

A peregrinação à Meca é um dos cinco pilares do Islamismo que todo crente deve realizar pelo menos uma vez em sua vida, se dispõe dos meios necessários.

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