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Mundo

Papa Francisco denuncia “globalização da indiferença” com imigrantes clandestinos

media Chegada do Papa Francisco que visita a ilha de Lampedusa REUTERS/Alessandro Bianchi

O papa Francisco denunciou nesta segunda-feira a “indiferença” do mundo em relação aos imigrantes que arriscam suas vidas em busca de uma vida melhor. A declaração do Sumo Pontífice foi feita durante a celebração de uma missa em Lampedusa, ilha italiana que serve de destino para milhares de candidatos à imigração clandestina que partem do norte da África do Norte em direção à Europa.  

O avião com o Papa Francisco aterrisou na ilha de Lampedusa na manhã desta segunda-feira, uma hora após o desembarque de 166 candidatos à imigração resgatados pela guarda costeira italiana. Para esta sua primeira visita fora de Roma, o Papa descartou a presença de políticos e autoridades religiosas. As excessões foram o prefeito de Lampedusa e o arcebispo local.

O Papa jogou no mar uma coroa de flores e celebrou uma missa em homenagem às vítimas das travessias. Durante a cerimônia acompanhada por 10 mil pessoas, o Papa lamentou que o trajeto rumo à esperança tenha se transformado em uma viagem para a morte para imigrantes que tentam a travessia pelo Mar Mediterrâneo.

Segundo o Papa, o sentido da responsabilidade fraterna foi perdido e fez um apelo para uma "mudança de atitude". “Nossos irmãos e irmãs procuravam sair de uma situação difícil em busca de mais serenidade e de paz, de um local mais seguro para eles e suas famílias, e encontraram a morte”, disse.

“Não somos mais atentos ao mundo no qual vivemos, não temos mais cuidado com o que Deus criou”, afirmou. O Papa Francisco também expressou sua “gratidão sincera e apoio” aos 6 mil moradores de Lampedusa e Linosa, às associações de voluntários e às forças de segurança que “mostraram disposição em ajudar outras pessoas que buscam uma vida melhor”. De acordo com o Papa, eles formam um pequena comunidade que oferece um exemplo de solidariedade.

Segundo o Alto Comissariado da ONU para refugiados, nos primeiros meses deste ano foram registradas 40 mortes ou desaparecimentos durante a travessia no mar Mediterrâneo. No ano passado, o número de vítimas passou de 500, segundo o órgão da ONU.
 

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